
Quando o assunto é curtição, a cidade de Salvador entrega eventos públicos e privados, manifestações religiosas, ensaios de verão, o tão aguardado Carnaval e mistura o sagrado com o profano como nenhum outro lugar do mundo. Mas como será que as pessoas fazem para dar conta de tantas festas?
Para Luciana Góes, o povo baiano não é nem preguiçoso e nem irresponsável, apenas se organiza antecipadamente para equilibrar as obrigações com o lazer na medida certa.
“Fazemos o trabalho mais rápido, ajeitando no começo do ano para não atrapalhar nossas festas, e aí a gente curte. O baiano não é preguiçoso, o baiano tem energia, então a gente tem que curtir para sair essa energia da gente, né? Então a gente curte Bonfim, Carnaval e emenda, emenda tudo”, disse ela em entrevista ao MASSA!.

Os amigos Leo Klein e Nathalia Yañez falaram sobre os desafios financeiros e de logística que os baianos enfrentam para dar conta diante de tantas opções de festas. Para os mais jovens, o verão é ainda mais tentador.
“Tem que ter muita paciência e fé em Deus, porque é muita festa e pouco dinheiro. Aí tem que ter um pouco do axé, tem que ter um pouco do amém, tem que ter um pouco de tudo, irmão, pra poder curtir tudo na paz, na alegria. Mas a gente vai com certeza”, declarou Leo.

“E tem que ter muita paciência também, viu, galera? Porque é ônibus, é metrô, é babado, confusão e gritaria, mas a gente consegue curtir tudo”, pontuou Nathalia.
Leia Também:
Já Ilda Silva é do interior da Bahia e veio à capital do estado para aproveitar o Baile da Santinha, na última sexta-feira (9). Ela defende que esse hábito de promover tantos eventos é algo que já faz parte da identidade dos baianos: “Festa tá no sangue, né? A Bahia tá no sangue, o baiano tem o molho”.
Curtição do baiano é quase uma terapia
Natural de Salvador, Daiane Lima acredita que o fato dos baianos conseguirem se jogar na curtição sem deixar de cumprir seus afazeres não é apenas uma questão de cultura, mas também uma forma de manter a saúde mental em dia.
“A gente arranja um tempinho pra poder se divertir. Trabalha, trabalha, trabalha, mas também tem que arrumar um tempo pra poder cuidar da saúde mental. Nada melhor que uma festinha, né?”, falou Daiane, que estava acompanhada do marido, Robson Silva.

Quem concorda com o casal é Alessandra França. “A gente é trabalhador. O baiano é muito trabalhador, a gente faz o nosso corre e também tem que tirar um tempinho para curtir, com certeza, porque ninguém é de ferro”, opinou.
