
A audiência desta quarta-feira (20), no Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5), terminou sem acordo e o impasse entre rodoviários de Salvador e o empresariado segue mesmo após mais de quatro horas de conversa. Com isso, uma nova mediação foi marcada para esta quinta-feira (21), às 11h, no mesmo local, para evitar uma greve.
Além da audiência, também está prevista para a tarde desta quinta uma assembleia entre os rodoviários, na sede do sindicato. Caso não haja acordo entre a categoria e os empresários, a paralisação dos ônibus poderá ser deflagrada na sexta-feira (22), segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários da Bahia, Hélio Ferreira, em declaração ao MASSA!.
A presidente do TRT-5, Ivana Magaudi, responsável pela mediação da audiência, comentou como ocorreu a primeira tentativa de acordo entre as partes. Segundo ela, existe uma proposta na mesa que ainda está sendo debatida, e demonstrou otimismo para que a greve não seja iniciada.
Leia Também:
“O tribunal, a presidência, fez uma proposta, a proposta da Justiça do Trabalho, presidente do tribunal. E as partes pediram para que a minha proposta ficasse em segredo, para que fizesse uma nova reunião hoje à noite, os sindicatos com os seus representantes, a empresa com os demais representantes. E eu designei às 11 horas da manhã para que possamos fechar esse acordo, para que possamos evitar esta greve que está anunciada. Eu acho que todo mundo está assim no afã de fechar esse acordo, e a gente vai fechar o acordo porque é um benefício para a própria sociedade evitar uma greve de transporte, é o que a gente deseja”, destacou a desembargadora.

Impasse segue firme
O representante dos empresários do transporte, Jorge Castro, enfatizou a dificuldade que as empresas enfrentam atualmente para manter as contas em dia, mas afirmou que espera um entendimento para evitar a paralisação dos ônibus em toda a capital baiana.
“As empresas hoje não têm condição de pagar, estão com fluxo de caixa muito baixo para fazer isso, mas felizmente nós temos uma presidência de tribunal, que nos deu um dever de casa e vamos para o dever de casa. Vamos ver se a gente volta aqui amanhã e tenta fazer o acordo”, disse.

Jorge também destacou a complexidade das negociações trabalhistas.
“A relação de trabalho não é algo simples. Tem muita coisa envolvida nessa história, como a expectativa dos trabalhadores e também a das empresas, cada um dentro do seu momento. Não é fácil antecipar as negociações e trazer tranquilidade para todos. Se fosse possível, se o mundo fosse bem equilibrado, talvez a gente conseguisse isso. Mas, infelizmente, nas relações de trabalho sempre existem esses conflitos e, às vezes, é preciso recorrer ao tribunal para mediar essa situação.”
Já Hélio Ferreira deixou claro que a negociação só será aceita se contemplar os pedidos da categoria.
“Esperamos que amanhã tenha outra mediação. Esperamos que nasça um acordo que seja defensável para os trabalhadores. Mas o acordo tem que passar por essas correções de condições de trabalho e tem que passar também por correção das classes econômicas. Então não dá para a gente entrar numa campanha e sair de uma campanha com um problema gravíssimo que está afetando a saúde do trabalhador e com seus reajustes necessários, com o ganho real para corrigir seus salários e principalmente seu ticket de alimentação, que está defasado”, enfatizou.
Ainda segundo Hélio, não serão aceitas propostas que representem retirada de direitos históricos da categoria.
“Quando os empregados entram em um dissídio, já se instala uma situação que, de alguma forma, contrapõe as nossas conquistas anteriores com a intenção de modificar cláusulas já garantidas. Como tirar o plano de saúde, congelar o ticket e ainda aumentar o desconto para 20%, além de querer limitar o nosso acesso dentro do ônibus para poder chegar ao trabalho, sendo que esse é um direito que temos. Então, são várias medidas dentro de uma pauta que nós temos, que não está sendo ouvida, mas que a gente está denunciando para a sociedade sobre o que o trabalhador vem enfrentando.”

O que os rodoviários pedem?
- Reposição da inflação com 5% de ganho real;
- Aumento no valor e na quantidade do ticket alimentação;
- Redução da jornada diária para seis horas;
- Revisão da chamada “carta horária”;
- Melhores condições de trabalho;
- Gratuidade no transporte;
- Estabilidade pré-aposentadoria;
- Implantação de turnos fixos e troca de linha;
- Gratificação em grandes eventos;
- Prêmio de assiduidade;
- Complemento do plano de saúde;
- Implantação de Participação nos Lucros e Resultados (PLR);
- Implantação de day off.
