
O primeiro dia de avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, realizado neste domingo (8), chegou ao fim diante de muitas expectativas dos candidatos. Vestibulandos que fizeram a prova no Colégio Estadual Edvaldo Brandão Correia, no bairro Cajazeiras IV, em Salvador, opinaram sobre as questões alternativas, o tema da redação e o grau de dificuldade geral.
A jovem Ana Raquele, de 18 anos, é estudante do terceiro ano do Ensino Médio e já prestou o Enem no ano passado como treineira. Para ela, a prova de 2026 estava menos complexa do que a de 2025 e este fator pode favorecer a tão sonhada aprovação de muitos candidatos.
“Eu achei boa. Algumas coisas que caíram, os professores falaram muito que iriam cair e realmente caíram várias coisas. Eu não achei tão pesada como o ano passado, porque no ano passado eu achei que tinha muita questão grande e esse ano eu achei que tinha menos texto”, declarou ela em entrevista ao MASSA!.

Ana Raquele pretende cursar Gestão em Recursos Humanos. Ela gostou do tema da redação, que foi “A valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) como direito universal", e disse que se surpreendeu por pensar que o assunto exigido seria mais difícil de argumentar.
“Eu achei um tema muito bom, não esperava! Eu esperava tudo menos esse tema que foi. Quando eu vi, eu falei: ‘Meu Deus do céu, tema SUS’”, revelou.
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Jovens fazem o Enem pela primeira vez
A adolescente Eduarda Gama, de 16 anos, teve uma experiência um pouco diferente devido ao nervosismo de fazer o Enem pela primeira vez. Para tentar controlar as emoções e otimizar o tempo, ela decidiu estrategicamente iniciar a prova pela redação.
“Eu me senti muito nervosa, porque é minha primeira vez. Quando eu entrei, eu estava mais nervosa ainda. Na hora da prova, primeiro eu decidi fazer a redação para eu ter uma base. Eu acho que se eu deixasse por último, eu ia demorar muito”, explicou.

Sobre o grau de dificuldade, Eduarda acredita que enquanto o texto dissertativo-argumentativo foi fácil, as questões alternativas estavam desafiadoras: “Eu achei que foi um tema muito fácil até, porque por mais que a gente tenha achado que não ia cair, a gente meio que já tem um conhecimento sobre. E o resto da prova foi um pouco mais difícil, porque são vários temas, não tem uma continuidade, cada questão é um tema diferente”.
Estudante reprova tema da redação
Já Cauã Veloso, de 18 anos, enfrentou alguns desafios relacionados ao tempo de prova. “No começo é divertido, mas depois que passa a primeira hora começa a ficar preguiçoso, aí acaba virando atordoante”, desabafou.

Ao contrário de Eduarda, o jovem não se agradou com a temática da redação, mas acredita que deu para discorrer bem o assunto. Ele espera que a prova do próximo domingo (15) seja melhor: “Um inferno. Não gostei do tema. Eu e um monte de gente estávamos esperando crise climática, mas acabou sendo um tema totalmente inesperado”.
Confira a entrevista:
Especialistas comentam assuntos que caíram no Enem 2026
Professores listam os assuntos abordados ou citados nas questões das provas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias.
Geografia
De acordo com Juninho Lopes, professor de Geografia do Bernoulli Educação, os temas relacionados à matéria escolar foram: Estreito de Ormuz; aproximação entre Irã e Paquistão; terras raras; soberania geopolítica; Sul Global; agroecologia; produção de commodities para o mercado externo; agricultura familiar; destinação de resíduos sólidos urbanos; aterros sanitários, aterros controlados e lixões; degradação ambiental; salinização; assoreamento; energia fotovoltaica; impactos ambientais do descarte de materiais utilizados na energia solar; crescimento econômico durante a ditadura militar (1968-1973); crise de endividamento dos anos 1980 (década perdida).
“A prova de Geografia manteve o padrão das edições anteriores. Poucas questões exigiram conhecimento direto de conteúdo, enquanto a maior parte cobrou interpretação de textos e compreensão das questões sociais, econômicas e ambientais do Brasil”, declarou.
Sociologia e Filosofia
No caso de Sociologia e Filosofia, o professor Renato Faria detectou a presença de temas como: movimentos sociais; identidade dos povos originários; ingresso de indígenas nas universidades; políticas públicas de acesso e permanência estudantil; movimento feminista; participação política das mulheres; representação feminina no discurso religioso medieval; patrimônio cultural; memória coletiva; movimento negro; conquistas do movimento operário no século XIX; patrimonialismo; construção dos museus; pensamento pré-socrático; etnocentrismo; pluralidade cultural; letramento filosófico; contratualismo; Thomas Hobbes; Jean-Jacques Rousseau; legitimidade do poder; Aristóteles; ética e ação virtuosa; melhoramento genético; escolha de características dos filhos; Hannah Arendt; Walter Benjamin; espetacularização e estetização da política.
“A prova de Ciências Humanas manteve uma abordagem crítica, exigindo dos candidatos atenção às grandes questões sociais. Os movimentos sociais tiveram destaque, especialmente a identidade dos povos originários, abordada em diferentes questões. Uma delas discutiu o aumento do ingresso de indígenas nas universidades e a importância de políticas públicas que garantam não apenas o acesso, mas também a permanência desses estudantes”, disse ele.
História
Márcio Edriano, professor de História, afirmou que as questões abordaram assuntos como: povos originários; busca por autonomia; exclusão das mulheres; luta pela participação política feminina; população escravizada; povos ciganos; trabalhadores; Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); combate ao fascismo; regime nazista; ditadura militar brasileira; Guerra do Contestado; museus; construção da memória coletiva; interdisciplinaridade entre História, Geografia e Sociologia. 7
“A prova de Ciências Humanas teve um olhar bastante social, com destaque para grupos historicamente vulnerabilizados e suas lutas por direitos”, avaliou.
Português
Maria Raquel Dias Sales Ferreira, professora de Português, também fez sua análise da prova de linguagens e redação: valorização do Sistema Único de Saúde (SUS); saúde como direito universal; saúde e cidadania; direitos constitucionais; vacinação; transplantes; vigilância sanitária e epidemiológica; redução da mortalidade infantil; racismo; machismo; capacitismo; arte indígena; redes sociais; inteligência artificial; identificação de textos produzidos por IA; segurança no trânsito; expressões capacitistas; Lei Rouanet; Candido Portinari; fotografia e cartelas de medicamentos; música de Dona Onete; obra Calabar, de Chico Buarque; funções da linguagem; gêneros textuais; estruturas argumentativas; estratégias de fundamentação; interpretação textual; pretérito imperfeito; Literatura brasileira; romance de 1930; Menino de Engenho, de José Lins do Rego; variação linguística; escolhas gramaticais e efeitos de sentido; historiografia literária.
“Em relação à prova de Linguagens, a avaliação foi coerente, com boas escolhas textuais e alternativas bem construídas, deixando pouca margem para interpretações ambíguas. As temáticas foram atuais e voltadas à inclusão”, concluiu ela.

