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Educação - 24/07/2026, 08:00

Alunos de Paripe, Pirajá e Valéria produzem coletânea de contos

Organizado por um professor, livro será lançado neste sábado (25) na Biblioteca Central

Artur Soares
Artur Soares
Professor Joceval Santiago com alunas do colégio estadual Teodoro Sampaio
Professor Joceval Santiago com alunas do colégio estadual Teodoro Sampaio |  Foto: Ag. A TARDE / Shirley Stolze

Além de um ambiente de aprendizagem, a escola também pode se tornar um berço para novos talentos artísticos. É com essa perspectiva que o professor Jocevaldo Santiago desenvolveu o livro Ao Som do Sinal — Novos Contos Negros. A obra reúne contos escritos por dez alunos de três colégios dos bairros de Paripe, Pirajá e Valéria. Com entrada gratuita, o lançamento oficial acontece neste sábado (25), às 9h, na Biblioteca Central do Estado da Bahia, nos Barris.

O baiano enxerga o livro como a possibilidade de que uma juventude negra e periférica possa contar as suas próprias histórias. Mais do que um mero relato da realidade, a obra é uma oportunidade desses jovens se aventurarem pelas águas da escrita criativa.

“Quando é um autor de classe média alta que escreve sobre nós, isso é uma coisa, isso de cara já tem a chancela da arte. Quando somos nós que escrevemos sobre nós mesmos, isso passa a ter um olhar de apenas um relato de vida. Ao Som do Sinal é preponderantemente um texto criativo e literário”, contou em entrevista ao MASSA!.

Joceval Santiago, professor da língua portuguesa
Joceval Santiago, professor da língua portuguesa | Foto: Ag. A TARDE / Shirley Stolze

A criação da coletânea de contos é uma ação do projeto Cri’Ativa - Talentos Literários. A iniciativa surgiu em 2024, quando Jocevaldo percebeu a necessidade de criar um programa de formação de autores destinado aos alunos. “À medida que eu comecei a fazer oficina de escrita criativa, percebi diversos talentos. Ao mesmo tempo, nós também fazíamos rodas de leitura para acompanhar o desenvolvimento e a percepção textual desses estudantes”, acrescentou.

Formado em Letras e atualmente ensinando língua portuguesa, o baiano destaca a importância de trazer um maior protagonismo negro para a literatura. A capacidade de se identificar com os livros é essencial principalmente para o público mais jovem. “Na maioria das vezes, nós não conseguimos ter acesso a um escritror que seja negro ou que seja proximo da gente. A literatura é uma área muito elitizada, os livros que chegam na escola não tem a nossa cara”, pontuou.

A potência dos jovens na literatura

Além de construir narrativas autorais, Ao Som do Sinal — Novos Contos Negros é o primeiro passo de uma nova geração de escritores. Os dez autores da obra servem como uma grande inspiração para seus colegas de turma. “Eles têm a oportunidade de escreverem de modo que falem de sua realidade, criando e sendo inventivos a partir de sua criatividade. A partir disso, outros estudantes vão se espelhar neles, como já está acontecendo”, afirmou.

Dos dez jovens selecionados, oito são garotas negras. O recorte demonstra a força da presença feminina preta dentro do universo da literatura. Alguns desses talentos estão na Escola Teodoro Sampaio, no bairro de Pirajá. Mesmo sendo jovens, as escritoras demonstram saber exatamente o que desejam para seus futuros.

“Eu espero e acredito que um dia eu também possa ser inspiração para outras meninas e garotos negros que também querem falar e merecem ocupar espaços importantes, tanto na literatura, quanto fora dela”, contou Lorrana Brito, de apenas 15 anos, que participou da escrita de Ao Som do Sinal — Novos Contos Negro.

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Moradora de Pirajá, Lorrana enfatiza a importância da escrita para sua vida. Inspirada por outras autoras negras, ela destaca a literatura como uma oportunidade de tocar o coração das pessoas. “No começo, a escrita para mim era mais como uma válvula de escape, para eu escrever tudo o que eu não conseguia dizer. Hoje eu vejo como uma oportunidade de inspirar, tocar alguém, de fazer com que aquele leitor se sinta entendido”, disse.

Maria Clara Rodrigues, Lorrana Brito e Nathália Figueredo , autoras do livro Som do Sina
Maria Clara Rodrigues, Lorrana Brito e Nathália Figueredo , autoras do livro Som do Sina | Foto: Ag. A TARDE / Shirley Stolze

Participar do livro é uma grande realização para quem deseja trilhar um caminho na escrita. A coletânea de contos é apenas o início dessa longa história. “A partir do momento que vi que meu conto havia sido selecionado e estava nesse livro, eu falei ‘se eu consigo isso, eu consigo algo a mais’. Uma coisa que eu sempre recebi foi o apoio de professores que acreditavam em mim e, se eu consegui isso, foi por causa deles”, afirmou Maria Clara Rodrigues, 15, que também escreveu Ao Som do Sinal.

O trabalho desses jovens é a prova concreta do papel transformador da escrita. É por meio da arte que elas encontram uma nova forma de existir em sociedade. “A escrita, para mim, é minha liberdade. Tudo o que eu não consigo falar ou demonstrar, eu escrevo. Não à toa, uma das minhas formas de demonstrar amor é por meio da escrita. A escrita é minha liberdade, é onde eu consigo expressar o que eu sinto, desejo, quero e vejo”, contou Maria Clara.

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