
Ainda da avenida Suburbana já era possível perceber que o Brega de Orlando vivia os últimos capítulos de sua história, um tanto folclórica, marcada por espisódios curiosos, lendas urbanas e muita diversão para quem vive na região.
No último andar do imóvel de paredes azuis, a retirada das telhas nos chamados “abatedouros”, se é que você me entende, já deixava parte da estrutura exposta, como um aviso de que a desapropriação provocada pelas obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) havia chegado ao espaço definitivamente.
A equipe do MASSA! esteve no local neste final de semana e acompnahou os últimos momentos antes do encerramento definitivo das atividades no imóvel, localizado no bairro de Praia Grande, no Subúrbio Ferroviário de Salvador. O último dia de funcionamento do Brega de Orlando naquela localidade foi este do domingo (17). A partir desta segunda-feira (18), o estabelecimento conhecido por muitos como "faculdade", fecha as portas no endereço após mais de três décadas de história.
Cenário de despedida

Dentro do estabelecimento, os sinais da despedida também estavam claros, espalhados pelo salão principal, onde funcionava o bar; era ali tamém onde rolava os primeiro contatos entre clientes e as profissionais do sexo, ou as "meninas do job", que cobravam a partir de R$ 80 para proporcionar “momentos de amor”. As grades do fundo do imóvel, que davam vista para o mar, já haviam sido arrancadas e estavam no chão.
Entre um gole e outro de cerveja, Antônio Carlos, de 44 anos, nascido e criado na região e frequentador assíduo do estabelecimento, garantiu que a despedida do espaço deixa um sentimento de tristeza entre os moradores, apesar de reconhecer a importância das obras de mobilidade na capital baiana.

“Todo mundo fica triste com uma despedida dessas. O morador sente, porque isso aqui faz parte da vida da gente há muitos anos. A gente vê as mudanças acontecendo por causa do VLT e entende que é uma obra importante”, afirmou.
Não adianta reclamar, porque é o progresso chegando
Antônio Carlos
“Se essas paredes falassem...”
Ao lembrar das próprias experiências vividas naquele local, Antônio disse que acompanhou quase toda a trajetória do Brega de Orlando.
“Se essas paredes falassem, teriam muita história para contar. Eu nasci e me criei aqui. Curti muito esse lugar. A gente não imaginava que um dia isso fosse acabar, mas agora chegou esse momento”, declarou. Antônio lembrou ainda que muitos turistas estrangeiros também visitaram o estabelecimento após a notícia do fechamento repercutir.
“O nosso lazer era aqui”

Do lado de fora, a reportagem encontrou Marcos Uzeda, de 44 anos. O homem contou que sua história e a do Brega de Orlando já "se confundem" há cerca de 35 anos, e lamentou o encerramento das atividades naquele imóvel.
“Acabou meu lazer, minha diversão. Agora, se eu tiver que ir para outro lugar, vou fazer o quê? Onde for, eu vou. [...] O nosso lazer era aqui e, infelizmente, vai acabar”, disse.
Nenhum outro lugar vai ser igual a esse
Marcos Uzeda
Marcos também opinou sobre qual é o espaoço que e o Brega de Orlando deve ocupar no imaginário da população soteropolitana a partir de agora. “Quero que seja lembrado como uma coisa boa, para quem gosta desse tipo de lazer. O lazer de muita gente é jogar bola. O meu era vir para cá. Por isso chamam de ‘faculdade’. Todo mundo aqui conhece a velha faculdade do bairro”, declarou.
Novo espaço já está em construção
Segundo informações de uma fonte ligada ao estabelecimento, o novo endereço do Brega de Orlando está sendo construído na região do Hospital do Subúrbio, e deve entrar em funcionamento dentro de aproximadamente um mês.
