
Às vésperas da Noite da Beleza Negra, nesta sexta (16), o Ilê Aiyê já esquenta os tambores do Carnaval 2026 com um tema que atravessa memória, luta e identidade: “Turbantes e Cocares: O Encontro de Coroas”. A proposta celebra a força afro-indígena e destaca símbolos como turbantes e cocares como marcas de dignidade, liberdade e resistência, reforçando a missão do bloco desde 1974.
O tema foi divulgado em outubro do ano passado, em um evento no Pelourinho que contou com a presença da União de Maricá, cidade fluminense que inspira o enredo deste ano e cria uma ponte simbólica entre Bahia e Rio de Janeiro.
Cocar e turbantes sempre andaram de mãos dadas. Desde os primórdio, da época da invasão estrangeira no território brasileiro, porque aqui a terra era dos indígenas, dos povos originários
Representante do Bloco Afro
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Ilê segue missão de educar e resistir
Antônio Carlos dos Santos, o Vovô do Ilê, reforçou que o bloco segue firme no propósito de transformar através da arte e da educação:
"Nós vamos continuar contando história, fazendo cultura, educação através do Carnaval. Precisamos do apoio para continuar ajudando a diminuir a desigualdade nessa terra." Ele também destacou a importância de incluir os povos originários na narrativa deste ano:

"Pela primeira vez vamos falar dos povos originários dessa terra também (…) isso se refere a todo o Brasil."
Deusa do Ébano 2026: expectativa e preparação
Com o Carnaval batendo à porta, cresce a expectativa para a escolha da Deusa do Ébano. Jaci Teixeira explicou como funciona o famoso 'dia de princesa', como as finalistas do concurso chamam:
"Elas tiveram oficinas de dança, mídia, acompanhamento psicológico… É um carinho, um acalento para elas. Elas merecem. É um concurso diferente, não é só beleza."

Sobre os critérios de seleção, Jaci reforça que a dança, a desenvoltura e o carisma são os principais fatores que influenciam a escolha.
Arte que vira símbolo
A Rainha 2026 também vai receber a escultura criada pelo artista Aless Teixeira, parceiro do Ilê há mais de dez anos. Para ele, criar o troféu vai além da arte:
"Eu chamo de um lazer e de uma luta. Fazer parte dessas reivindicações às quais o Ilê foi fundado é uma realização muito grande."

A conexão com o bloco vem de família. "O Ilê já fazia parte do meu imaginário antes mesmo de eu trabalhar com eles (…) poder contribuir com minha mão de obra nessa trincheira é algo que não se mensura."
