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História de filme - 15/02/2026, 17:00 - Jair Mendonça, Marina Branco e Da Redação

Quebrando barreiras: a luta para ocupar o Carnaval de Salvador

Veterano do Carnaval relembra dificuldades para desfilar e celebra avanços na inclusão

Álvaro Oliveira, de 77 anos
Álvaro Oliveira, de 77 anos |  Foto: Jair Mendonça/Portal A Tarde

Aos 77 anos, Álvaro Oliveira não carrega só lembranças do Carnaval. Ele carrega história. Integrante do tradicional bloco Os Internacionais, desde 1976, ele viu de perto a evolução da folia em Salvador e ajudou a quebrar barreiras para estar ali, na avenida.

A relação com o bloco começou há quase cinco décadas e, desde então, virou paixão. “Desde o ano de 1976 que eu passei a sair do Carnaval dos Internacionais e tive bons momentos, muita alegria, o bloco que sempre foi muito bem aceito pela sociedade, um bloco famoso, gostoso de sair, muita paz”, relembra.

Na bagagem, ele traz uma trajetória marcada por grandes momentos e grandes nomes. “Saímos com grandes bandas, desde o tempo da banda No Chão, aquela que chamavam popularmente Chupa Catarro, até chegarmos ao trio, Bell Marques, Moraes Moreira e por aí vai. Saímos com grandes bandas, foi muito boa essa experiência nos Internacionais. Bloco de primeira, dá saudade”, conta.

Quebrando barreiras na raça

Mas nem tudo foi festa. Álvaro relembra que foi o segundo homem negro autorizado a desfilar no bloco, um retrato de como a realidade era dura na época. “Recordando agora da época, como era difícil o negro ser aceito em vários setores da sociedade”, diz.

Ele conta que o amigo Sílvio Mendes conseguiu entrar antes. “O grande amigo e companheiro Sílvio Mendes saiu até antes de mim, mas porque era famoso, da imprensa. E eu, para sair, deu certo trabalho. Tinha que preencher uma proposta, essa proposta tinha que ser analisada pela diretoria para ser aceito ou não”, relembra.

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Hoje, ele prefere olhar para trás como um capítulo superado. “Isso faz parte do passado, foi uma época que foi vencida. Hoje a gente já não tem mais esses preconceitos. Apesar de que, para sair no Ilê Aiyê, também o branco tinha dificuldade”, reconhece.

“Então é uma coisa de mão dupla, um preconceito de mão dupla. A gente tem que enterrar esses preconceitos e partir para uma nova era onde as pessoas se abraçam. A paz tem que reinar, sobretudo no Carnaval”, completa.

Do Campo Grande ao mundo

Testemunha da expansão da festa, Álvaro viu o Carnaval crescer e se transformar. “Desde a essência do Carnaval de Salvador, das origens, lá como só tinha esse corredor aqui e era o único circuito que a gente tinha, para hoje essa transformação”, compara.

Para ele, a criação de novos circuitos foi inevitável diante da grandiosidade da festa. “É uma imposição do crescimento da população, do crescimento do próprio Carnaval, a própria grandeza que extrapola as fronteiras nacionais e internacionais. Todo mundo procura a Bahia como um símbolo eterno do Carnaval e da alegria, o Carnaval de rua e o Carnaval democrático”, avalia.

Sem essas mudanças, segundo ele, a folia teria colapsado. “Se não existissem essas saídas alternativas, o Carnaval já teria implodido aqui na Avenida Sete, no Campo Grande”, afirma.

“Os demais circuitos são bem-vindos. Inclusive já se fala que lá na Orla vai ter um novo circuito. A gente espera que aconteça, porque os circuitos existentes já estão sendo ineficientes, já não dão conforto”, acrescenta.

Amizade que atravessa gerações

A história de Álvaro também é marcada por amizades que resistiram ao tempo. Amigo dele há mais de 50 anos, Paulo César Vieira Lima, ex-diretor do bloco, relembra as dificuldades enfrentadas pelo companheiro.

“De pele, era difícil você botar um negro no bloco. Infelizmente tinha essas questões no bloco e eu briguei muito por isso. Para ele entrar deu trabalho, apesar de ser uma pessoa íntegra, um profissional de educação física”, recorda.

Álvaro Oliveira e Paulo César Vieira Lima
Álvaro Oliveira e Paulo César Vieira Lima | Foto: Jair Mendonça/Portal A Tarde

Segundo Paulo, o currículo de Álvaro sempre foi exemplar, mas a cor da pele pesava mais naquele tempo. “Gerente de governo, que trabalha na Sudesb, um dos grandes gerentes da Sudesb, cara que foi oficial do Exército. Mas na época tinha esse preconceito, essa questão de pele era muito forte”, explica.

Mesmo assim, a amizade falou mais alto. “Tá com a gente aí, meu amigo, meu compadre. É mais de 55 anos que a gente se conhece. Então foi muito bom”, celebra.

Carnaval é no A TARDE Folia!

Acompanhe todos os detalhes do Carnaval de Salvador em uma transmissão com imagens ao vivo. Diretamente do Observatório A TARDE, no circuito Dodô, Silvana Freire e Marrom comandam a live do A TARDE Folia, no YouTube, trazendo o clima da festa em tempo real.

Além disso, nossas equipes de reportagem estão espalhadas por todos os circuitos oficiais da festa, garantindo informação de qualidade e a cobertura completa de tudo o que acontece na maior festa de rua do mundo. Carnaval é no A TARDE Folia!

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