
No Carnaval de Salvador, com trios passando colados, som nas alturas e a multidão espremida na avenida, trocar ideia nem sempre é tarefa fácil. Mesmo assim, quem é da Bahia sabe que sempre dá um jeitinho — principalmente quando o assunto é arrumar um contatinho no meio da folia.
É nesse clima que muita gente chega à festa já na expectativa de conhecer alguém, trocar um olhar diferente ou até garantir um beijo. No Circuito Osmar, no Campo Grande, esse movimento é comum entre foliões de diferentes bairros, que encaram a muvuca como parte do jogo da paquera carnavalesca.
Vindo de Sussuarana, o folião Leandro Santos contou que, mesmo com toda a correria da festa, acredita que a melhor forma de se aproximar continua sendo a tranquilidade e a alegria. Para ele, a conquista acontece sem pressa.
“Com alegria. Chavequinho a gente está conquistando, tem que ser devagarzinho. Eu sou igual a mineiro, sou baiano, mas vou igual a mineiro. Vou nas manhãs, devagarzinho”, relata.

Apesar da descontração, campanhas educativas reforçam todos os anos a importância de diferenciar flerte de comportamento criminoso. Encostar sem permissão, insistir após negativa ou ultrapassar limites pode transformar a diversão em caso de polícia. O próprio Leandro reconhece que o respeito precisa caminhar junto com a curtição.
“Ofensa, assédio e importunação não combinam com o clima da festa”, completa o homem.
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Entre um trio e outro, grupos de amigas também aproveitam a avenida para dançar, cantar alto e, quem sabe, viver um romance de Carnaval. Foi nesse cenário que Fabiana Santana explicou como enxerga a paquera ideal: algo que começa de forma silenciosa, no jogo de olhares, antes de qualquer aproximação física.
“O jeito certo é troca de olhares. Me olhou demais, é vapo. Deu mole, é vapo. Se quiser paquerar, quer beijar na boca, me procura que eu tô aqui”, conta à reportagem.

No entanto, ela reforça que a avenida é espaço de diversão, onde todo mundo precisa se sentir seguro para curtir do próprio jeito. Abordar alguém não é problema quando existe educação, cuidado e limite. Porém, diante de uma negativa, insistir deixa de ser paquera e passa a ser desrespeito.
“Não pode agarrar com força. Se a mulher não quiser, não é não. A gente tem que respeitar, porque tem muita gente que só vem para curtir mesmo, não quer paquerar”, afirma.
Carnaval é no A TARDE Folia!
Acompanhe todos os detalhes do Carnaval de Salvador em uma transmissão com imagens ao vivo. Diretamente do Observatório A TARDE, no circuito Dodô, Silvana Freire e Marrom comandam a live do A TARDE Folia, no YouTube, trazendo o clima da festa em tempo real.
Além disso, nossas equipes de reportagem estão espalhadas por todos os circuitos oficiais da festa, garantindo informação de qualidade e a cobertura completa de tudo o que acontece na maior festa de rua do mundo. Carnaval é no A TARDE Folia!
