
Maquiagem pesada, roupas pretas, cabelos coloridos. Mais do que um gênero musical, o rock também se destaca por reunir um público com identidade visual bem singular. Durante o primeiro dia do Palco do Rock, que começou sua programação no sábado (14), uma multidão de baianos compareceu ao Coqueiral de Piatã esbanjando muito estilo.
Usando as orelhas de coelhinha que já se tornaram tradicionais no Carnaval, a estudante Raissa Ferreira, 24, explicou que o festival é a única parte da folia em que ela se sente livre para ser quem realmente é. "É o único evento que eu consigo me sentir a vontade. No meio do Carnaval, bloquinhos e essas coisas, eu não consigo me sentir okay. É o que eu me sinto mais a vontade, tanto que eu vim com a orelhinha", afirmou.

O dresscode acaba sendo algo importante para a comunidade de amantes do rock. Ao longo de suas visitas ao PDR, Raissa foi descobrindo lentamente como construir um visual condizente com o festival. "No primeiro ano que eu vim, eu fui toda de rosa e em senti meio deslocada. No segundo ano, vim com a saia e bota rosa e ainda me senti meio assim. Esse ano vim de all black e me senti mais confortável", relembrou.
Demonstração da arte
A abertura do evento contou com shows de Honoris Rock, Carnage, Orelha Seca, Marcio Mello, Dead Fish, Escarnium, Malefactor e Defeito de Fabricação. Houve quem aproveitou a oportunidade para explorar seus dons artísticos por meio da maquiagem.
"Eu me organizo o ano todo para estar aqui esses quatro dias e mostrar um pouco da minha arte. Eu estou aprendendo cada vez mais a trazer um pouco da minha maquiagem, o povo já me conhece por isso", revelou a artista plástica Lúcia Oliveira.
Diferente do que a maioria pode esperar, as inspirações da jovem vem por meio de seus sonhos. O resultado é uma maquiagem "onírica" e cheia de personalidade. "É super simples, eu pego ideias que vem de sonhos ou de desenhos meus e coloco no rosto. Na roupa eu misturo para ver como é que fica, não pego inspiração de outros lugares", detalhou.
Apesar de impressionar por onde passa, a artista conta os perrengues que é curtir aos shows completamente caracterizada. O calor se torna o principal obstáculo para quem deseja aproveitar ao máximo. "Eu já me acostumei, mas é bem difícil. A peruca cola, a roupa esquenta, a maquiagem derrete. Mas, eu me acostumei, sei fazer minhas técnicas para passar menos calor", garantiu.
Rock é refúgio
Além de um momento para aproveitar bandas de diferentes vertentes, o Palco do Rock também se consagra como um refúgio para quem deseja se expressar livre dos julgamentos. Os que investem no visual tratam o Coqueiral de Piatã como uma verdadeira passarela para seus looks. "Eu já me expresso diariamente, mas aqui é o momento de colocar mais de mim e aproveitar o evento para desfilar por aí nossa personalidade. A gente se expressa pelo que a gente veste, mostramos o que a gente gosta", contou a musicista Bia Clozz, 28.
Com um chamativo cabelo azul, Bia revela que construiu seu estilo ao longo dos anos. As bandas que ela escuta no cotidiano acabaram ditando seu gosto por peças de vestuário. "Foram muitos anos de experiência e a gente acaba pegando uma coisa ali e outra aqui de várias bandas que a gente escuta. Eu curto emocore, punk rock, hardcore rock, então eu acabo tentando juntar tudo aquilo para refletir em meu estilo", pontuou.

A line-up do Palco do Rock continua a todo vapor no domingo (15), com shows de Cobra de Coleira, Cartilha de Ódio, Jorge King, Thathi, Eskröta, Auro Control, Desiranted, Alkymenia e Lote 7.
