
Não há quem não sinta a presença do Ilê Aiyê na avenida, com tambores fortes e cores vibrantes. Um dos mais tradicionais blocos afro da Bahia toca os corações de quem o vê passar. Mas, além do desfile, o Ilê se mostra como um símbolo de representatividade e autoestima para quem o compõe.
Há décadas desfilando com a realeza do ébano, Gilmara Santos, ialorixá do Ilê Axé Omím Obálagbédé, vê no bloco uma forma de continuar um legado familiar. “Eu saio no Ilê há mais de 20 anos. Na realidade, isso aqui é uma continuidade, uma hereditariedade dentro da minha família. Começou por meu pai, e aí meu primeiro disco de vinil do Ilê, aquele antigo, foi ele que me deu. E eu comecei a me apaixonar”, contou ela ao Massa!.


Marcando gerações desde sua fundação em 1974, Gilmara afirma que foi graças ao bloco que entendeu sua identidade racial, já que o Ilê Aiyê evidencia e traz beleza à identidade negra. “Eu mesma tinha um preconceito terrível com meus lábios, com meu nariz. Morria de vergonha da cor da minha pele. Já pedi para ter a pele branca. Então o Ilê traz isso, ele traz esse resgate dessa história e a valorização e o fortalecimento dessa história", ressaltou.
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Transformação de vida
Provando que o impacto do trabalho feito pelo Ilê atravessa gerações, Rodrigo Oliveira, de 23 anos, encontrou no bloco um refúgio contra a opressão. “Eu, enquanto criança, vivi em uma família racista, cresci em uma família racista. E foi através do Ilê Aiyê, acompanhando a saída do Ilê Aiyê aqui mesmo pelo bairro, que eu fui me identificar como um homem negro, como bonito, como poderoso”, contou o jovem.
Morador do Curuzú, bairro sede do bloco afro, os projetos de dança e arte influenciaram diretamente na vida e na consciência de Rodrigo. “O Ilê faz a gente, é porque a gente está ali e porque a gente chegou ali. Ele leva para a avenida essa aula de história, no momento de lazer, no momento de curtição, mas a gente entendendo com consciência, de fato, quem a gente é", completou.
