
Fantasia, irreverência e muita diversidade cultural tomaram conta da Barra neste domingo (8), durante o Fuzuê, uma das festas que abre oficialmente o calendário do pré-Carnaval da capital baiana. Diferente dos dias de grandes trios e artistas, a festa é marcada pela presença de bloquinhos, fanfarras, marchinhas e personagens que fazem do povo o grande protagonista da folia.
Entre os destaques, chamou atenção a jovem Vitória Luísa Silva, de 18 anos, trabalhadora do comércio, que escolheu uma fantasia carregada de significado. Um morcego que segundo ela, o figurino tem origem africana e foi pensado como forma de proteção espiritual.
“Essa fantasia foi criada para espantar os espíritos maus. Vem da África e eu faço questão de trazer essa raiz para a rua. O Carnaval também é isso: cultura e ancestralidade”, afirmou.
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Mas quem roubou a cena mesmo foi Dona Maria, de 72 anos, que fez questão de curtir o Fuzuê fantasiada e com sorriso no rosto. Frequentadora antiga da festa, ela mostrou que idade não é limite para cair na folia.
“Eu venho todo ano. Enquanto eu tiver força nas pernas, eu venho. O Fuzuê é alegria, é respeito, é cultura. A gente se sente viva aqui”, contou a aposentada, animada, em meio ao desfile.
Outro personagem que não passou despercebido foi Antônio Carlos Oliveira Pessoa, de 70 anos, que apareceu fantasiado de “corno”, com direito aos chamados “10 mandamentos do corno fiel” pintados na roupa. Com muito bom humor, ele disse que a ideia era levar uma mensagem de leveza para quem sofre por amor.
“O segredo é ser feliz, ignorar e viver. Corno triste não aproveita nada, não. Aqui é pra rir, brincar e seguir a vida”, disparou.
A criatividade também tomou forma no Bloco dos Smurfs, grupo que desde 2017 sai totalmente pintado de azul da cabeça aos pés. O aposentado Jorge Carlos dos Santos explicou que a proposta é espalhar alegria e chamar atenção para o Carnaval sem violência.
“A gente vem pra brincar, pra se divertir e pra passar uma mensagem de paz. Carnaval é isso: curtir sem briga e com respeito”, disse.
Além das fantasias inusitadas, o Fuzuê foi marcado pela diversidade e inclusão. Pessoas com deficiência participaram do desfile, algumas em cadeiras de rodas, acompanhando os bloquinhos. As crianças deram um show à parte, vestidas de sereias, coelhinhas, morcegos, vampiros e até personagens de desenhos animados. Marinheiras, Power Rangers e uma seleção inteira da Copa do Mundo também marcaram presença.
