
Os episódios de convulsões sofridos pelo ator Henri Castelli, no BBB 26, chamaram atenção e tomaram conta das redes sociais nesta quarta-feira (14). Além de assustadas, as pessoas dentro e fora da casa tentaram entender o que pode ter ocasionando as crises convulsivas no artista. A primeira aconteceu durante em uma dinâmica de resistência e a outra rolou após o artista ter recebido atendimento médico e voltado para a casa.
Ao Portal MASSA!, o médico neurologista e mestre em Neurociências pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Alan Cronemberger, explicou o que pode ter acontecido durante a prova do líder. "Vários fatores podem ter ocorrido ou se combinado, e comento alguns abaixo. Mas, é importante lembrar que convulsão é um tipo de crise epiléptica, geralmente com manifestações motoras visíveis (contrações, rigidez, abalos), mas nem toda crise epiléptica é convulsiva", iniciou o profissional.
"A crise epiléptica é definida como um evento transitório por atividade neuronal anormal excessiva no cérebro. No caso em questão, por um vídeo de uma suposta crise, não é possível dizer se o que o ator teve. O que sabemos é que em situações de esforço prolongado, a ciência descreve um conjunto de fatores que podem reduzir o 'limiar convulsivo' (isto é, facilitar que uma crise ocorra em pessoas vulneráveis), especialmente quando existe: privação ou perda de sono; estresse físico e psicológico intenso; alterações metabólicas (por exemplo, sódio baixo, cálcio baixo etc.); hipoglicemia e hiperventilação", seguiu explicando.
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O que fazer?
Na hora da agonia, às vezes as pessoas acabam tomando atitudes que mais atrapalham do que ajudam. O neurologista orientou o que de ser feitos nesses casos:
⦁ Afastar objetos que possam machucar e proteger a cabeça com algo macio.
⦁ Não conter ou segurar a pessoa à força, pois a contenção aumenta risco da pessoa se machucar.
⦁ Não colocar nada na boca (objetos ou dedos), pois isso pode causar fraturas dentárias, cortes e mordidas indesejadas.
⦁ Se possível, conte quanto tempo a crise dura (com cronômetro). O tempo de duração pode mudar a condução do caso quando o socorro chegar.
⦁ Quando os abalos terminarem, coloque a pessoa em posição lateral de segurança (de lado) para reduzir risco de aspiração de saliva ou vômito.
Se lembre de proteger a pessoa e garantir vias aéreas livres, ou seja, que possa respirar bem, sem intervenções perigosas. 😉
Quais riscos uma crise convulsiva pode causar?
O neurologista formado pelo Hospital Santa Izabel, Filipe Nolasco, esclarece que uma crise convulsiva isolada não é sentença para sequelas ou riscos a longo prazo, "mas o risco da pessoa com crises repetidas, é o local que a pessoa tem a crise: manuseando objetos perigosos ou em uma fonte de água ou mesmo em lugares com risco de queda".

O médico também ressalta que procurar um profissional da área é essencial para manter a saúde em dia. "É importantíssimo para o caso do Henri ter acompanhamento médico, tanto para entender o que foi que teve, se foi convulsão propriamente dita, ou foi uma síncope convulsiva. O neurologista é profissional que normalmente tem a maior vivência nesse tipo de situação. E com base no tipo de doença é importante entender se há algum fator de risco na história ou nos exames que levem a ter novos episódios para avaliar uso de medicações", salientou.
Vale destacar que para diminuir os riscos dos quadros de epilepsia é necessário ter uma boa alimentação, se manter hidratado e ter um repouso de qualidade.
