Nas Ruas

Sáb, 30/11/2019 | Atualizado em: 30/11/2019 às 05h05


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Sucesso Inspiração em Santa Dulce rende excelentes frutos

Euzeni Daltro
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Adriana e Vanuzia são artesãs e, instigadas por terceiros, produziram peças inspiradas em Santa Dulce dos Pobres para serem comercializadas no dia da celebração em homenagem à freira, realizada no último dia 20 de outubro, na Itaipava Arena Fonte Nova. E venderam todas as peças que levaram.

Adriana Félix, 49 anos, vendeu as 100 bolsas com a imagem da santa baiana. Da mesma forma, as 200 miniaturas da santa levadas por Vanuzia Nunes Gomes, 42, foram vendidas. Para elas, que não se conhecem, o sucesso nas vendas teve a "mãozinha" da santa.

"Se tivesse mais, a gente teria vendido. Eu nunca tinha saído para vender. Com certeza, tivemos a ajuda de Santa Dulce nesse sucesso de vendas. Tenho muito o que agradecer a Irmã Dulce por isso e por tudo", afirma Vanuzia, que foi incentivada pela mãe, Aurelina Senhorinha Gomes, 75, a fazer as imagens em biscuit.

"Minhas bolsas não deram para quem quis. A proporção que passava a missa, a questão do título de santa, o amor que as pessoas têm pela obra dela, tudo isso mexeu com as pessoas. As pessoas entravam para a celebração com o coração rabugento e saiam com vontade de ajudar o próximo, comovidas", relembrou Adriana, que criou a estampa com a imagem de Santa Dulce após sugestão e incentivo de dona Nilza, uma cliente antiga do Barra Center. "O título de santa para Irmã Dulce me comoveu. O trabalho que ela fazia com os doentes a fez chegar mais perto da santidade", disse a artesã.

Adriana vive da venda de bolsas com estampas inspiradas no turismo da Bahia e feitas por meio da serigrafia (técnica de impressão com uso de uma tela específica). Todo o processo de produção (corte e costura das peças e criação e aplicação das estampas) é feito por ela. Dias antes da celebração, Adriana levou 60 bolsas com a estampa da santa para duas clientes (30 para cada), no Centro. A estampa fez tanto sucesso que, no dia seguinte, elas ligaram pedindo mais.

A artesã conta que cresceu vendo o pai, Eglimar Geraldo Félix (falecido em 2014), trabalhar com desenho e serigrafia e, de tanto observá-lo, aprendeu a técnica aos 5 anos. Seu Eglimar foi um dos pioneiros na Bahia.

O desempenho de Adriana com a serigrafia foi tão satisfatório que, quando ela tinha 11 anos, o pai a deixava responsável pela oficina, onde ela trabalhou até ingressar na faculdade de contabilidade, aos 19 anos.

Mas foi há 10 anos, quando a filha caçula de Adriana foi diagnosticada com hiperatividade, que ela adotou de vez a profissão do pai. Adriana é formada em contabilidade e, na época, trabalhava em uma clínica. "Eu não tive condições de continuar no trabalho. Eva (filha caçula de 13 anos) era muito introspectiva e agitada. Depois que passou a ficar o dia comigo, ela se soltou mais", lembra Adriana.