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Seg, 25/11/2019 | Atualizado em: 25/11/2019 às 04h05


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Trágica recordação

leo moreira
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Hoje, dia 25 de novembro, completam-se 12 anos do maior desastre do futebol baiano. Nessa mesma data, no ano de 2007, em uma Fonte Nova lotada com cerca de 60 mil torcedores que comemoravam o acesso do Bahia à Série B do Campeonato Brasileiro, no empate em 0 a 0 com o Vila Nova, aos 35 minutos da etapa final, parte do chão da arquibancada do estádio se abriu.

Foi aí que, do anel superior do equipamento esportivo, despencaram e morreram sete pessoas: Márcia Santos Cruz, Jadson Celestino Araújo Silva, Milena Vasquez Palmeira, Djalma Lima Santos, Anísio Marques Neto, Midiã Andrade Santos e Joselito Lima Júnior. Outras 30 pessoas ficarem feridas.

Do lado de fora do estádio, os trios elétricos aguardavam para iniciar a festa, que nunca aconteceu. A multidão eufórica com a subida do Esquadrão à segunda divisão nacional comemorava, assim como os jogadores em campo, até que a alegria foi se transformando aos poucos em aflição.

Na época, Arturzinho, técnico do Bahia, revelou que só ficou sabendo da tragédia no vestiário da Fonte Nova. "Não vi que tinha acontecido. Lembro que tinha trio elétrico do lado de fora já esperando a gente para festejar a ascensão. Quando já estávamos nos preparando para ir, ficamos sabendo disso. Aí não tinha nem como comemorar mais. Foi triste", lembrou.

Já o atacante Nonato, artilheiro do Esquadrão na campanha do acesso, relatou como a notícia chegou aos jogadores. "Acabou o jogo, a torcida invadiu o campo e a gente comemorou com o torcedor, dentro de campo, quando fomos para o vestiário todo mundo pulando, comemorando e tal. Vinte minutos depois chegou alguém, que não lembro quem foi, e falou o que tinha ocorrido", disse.

O torcedor Jader Landerson Azevedo, um dos sobreviventes da tragédia, recordou como conseguiu escapar da morte e da queda de pelo menos 20 metros. "Eu caí em uma lança no anel do meio e a minha perna direita ficou presa. Depois o meu corpo se soltou, mas o impacto diminuiu. Acho que isso salvou minha vida", destacou a vítima em 2017 à reportagem do jornal A TARDE. Ele fraturou três vértebras da coluna e lesionou a coxa esquerda, além de sofrer um distúrbio causado pela pancada na cabeça.

Mas, de lá para cá, o que mudou? Revoltado e decepcionado com o rumo das coisas, em entrevista ao MASSA!, Jader criticou a ação do Governo da Bahia, de Bobô, que era superintendente da Sudesb na época, e do Bahia, que, segundo ele, largaram-lhe de mão.

De acordo com o torcedor, até hoje ele não recebeu nenhum tipo de apoio. "Deu assistência nos primeiros dias porque estava na imprensa e passou no mundo todo. E o restante, cadê? Depois de três, quatro anos esqueceu. Ninguém liga mais para perguntar se está precisando de alguma coisa", disparou.

Por outro lado, Midiã Andrade Santos não teve a mesma sorte de Jader e veio a óbito. Procurada pela reportagem do MASSA!, a mãe da vítima relatou que "esse assunto só me traz lembranças ruins. Minha filha me faz muita falta" e preferiu não tocar mais no assunto.