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Sáb, 16/11/2019 | Atualizado em: 16/11/2019 às 04h05


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Tiro fatal Família de rapaz culpa a polícia

ANDREZZA MOURA
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Como fazia todas as terças e quintas-feiras, o sindicalista Juarez da Conceição, 46 anos, saiu de casa, no bairro Sussuarana Velha, na manhã da última quinta-feira (14), com o filho, Natanael de Araújo Conceição, 17 anos, em direção ao Instituto Guanabara, em Brotas, onde o garoto, que era autista, fazia tratamento com um fonoaudiólogo e um psicopedagogo.

No entanto, a rotina de pai e filho foi interrompida brutalmente, após um suspeito de roubo cruzar o caminho deles, em Pirajá, e invadir o carro da família.

Natanael levou um tiro na cabeça e morreu antes mesmo de chegar ao Hospital Geral Roberto Santos, para onde foi levado pelo próprio pai. Segundo Juarez, o filho caçula foi baleado durante uma ação desastrosa de policiais rodoviários federais, que atiraram no suspeito, ainda não identificado, quando ele já estava rendido dentro do veículo. O homem também morreu.

"Ele [suspeito] veio em direção ao meu carro e falou: 'pare, pare'. Depois entrou, colocou a arma no meu rosto. Levantei as mãos e disse a ele: 'por favor, pare! Meu filho é deficiente, ele está aqui comigo'. Ele abaixou a arma e mandou eu seguir. De repente, apareceu o carro dos policiais, falei a mesma coisa, mas eles atiraram. Não deu tempo de falar mais nada", lembrou o senhor, muito abalado.

Conforme ele, não houve troca de tiros, como alegaram os três policiais envolvidos na ação. Após deixarem o suspeito no Hospital Roberto Santos, os agentes se apresentaram no Departamento de Homicídios, onde o caso é investigado.