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Seg, 21/10/2019 | Atualizado em: 21/10/2019 às 08h30


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Fé em Dulce traz milhares de fiéis pra BA A Arena ficou foi tomada por alegria, gratidão e devoção

Euzeni Daltro
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A primeira cerimônia em homenagem à Santa Dulce dos Pobres, realizada ontem na Arena Fonte Nova, reuniu devotos de diversos estados do país, sobretudo, aqueles que vieram para agradecer por graças alcançadas com a intercessão da freira baiana, antes mesmo de sua beatificação em 2011. Irmã Dulce foi canonizada pelo Papa Francisco no último dia 13, em cerimônia realizada no Vaticano, Itália. A canonização se deu 27 anos após a morte da freira, em 1992.

Foi justamente o sentimento de gratidão que levou o pintor aposentado Roque Silva Santos, 66 anos, ao estádio pouco mais de duas horas antes da abertura dos portões. "Minha história com Irmã Dulce é muito emocionante. Se hoje eu estou aqui salvo e recuperado, eu devo a ela", disse. Antes de falar sobre a santa, Roque tirou o boné que usava e pediu um tempo para se recuperar da emoção.

Ele conta que, devido aos problemas com álcool, abandonou trabalho, família e passou a viver na rua. No ano 2000, Roque procurou uma irmã e pediu ajuda. Juntos, os irmãos buscaram tratamento nas Obras Sociais Irmã Dulce (OSID). "Quando cheguei lá, eu era pele e osso, tinha problemas de circulação e alcoolismo. Não poderia me tratar porque o álcool estava tomando conta de mim. Na minha primeira internação, eu fiz um voto com Irmã Dulce e prometi a ela que, quando saísse de lá, não iria mais beber e nem fumar. Passei mais de dois anos internado e, desde quando saí, nunca mais bebi nem fumei", afirma Roque.

A presença de Martim Sousa Cerqueira, 50, na celebração, se deu por gratidão à primeira santa brasileira pela cura de um problema nos rins de um dos seus quatro filhos, Márcio Vitor, hoje com 11 anos. "Pedia a Irmã Dulce que ela ajudasse meu filho, curasse ele, que, quando tivesse uma missa para ela, eu iria. E estou aqui, graças a Deus e a ela", conta Martim, que veio com outros fiéis da Paróquia de São José, em Feira de Santana. Além de agradecer pela cura de um filho, Martim também aproveitou o momento da celebração para pedir pelo filho caçula, Samuel, de 8 anos, que, segundo ele, anda muito traquino. "Estou pedindo para ela acalmar ele, para dar juízo a ele", revelou.

A celebração reuniu 52.600 pessoas e foi presidida por dom Murilo Krieger, arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, concelebrada por dezenas de bispos, como os auxiliares da arquidiocese, dom Hélio Pereira dos Santos, dom Estevam dos Santos Silva Filho e dom Marco Eugenio Galrão Leite de Almeida, além de padres e diáconos,