Nas Ruas

Qui, 05/09/2019 | Atualizado em: 05/09/2019 às 04h03


Nas Ruas

Suicídio O poder do amparo voluntário para a preservação da vida

Euzeni Daltro
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Quando resolveram fazer a inscrição para voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV), João Eudes, 66 anos, e Jomar Oliveira, 45, almejavam a mesma coisa, ajudar pessoas. No trabalho de apoio emocional e prevenção ao suicídio desenvolvido no Centro, eles não só ajudam pessoas como se realizam como valorizadores da vida.

Eudes desejava trabalhar com algo relacionado à paz e, no ato de escutar o outro com amor, se realiza como propagador da paz . "Quando você conversa com as pessoas e elas se sentem bem, eu acredito que é um trabalho ligado à paz. Quando a gente conversa sem dar opinião, sem julgar, as pessoas se sentem em paz", acredita ele, que é voluntário do CVV há 29 anos.

Já Jomar, que queria desenvolver um trabalho que lhe permitisse contribuir para tornar o mundo melhor, se realiza no cuidar do outro. "Adoro cuidar das pessoas. Sinto muito prazer em cuidar das pessoas", afirma. Entre idas e vindas, Jomar soma 15 anos de trabalho voluntário no CVV.

O sentimento de querer ajudar pessoas que João Eudes e Jomar carregavam quando se inscreveram para o trabalho voluntário foi também o que motivou os integrantes do grupo de estudo Aprendizes do Evangelho, da Federação Espírita de São Paulo, a criar o CVV em 1º de março de 1962.

Hoje, a ONG possui mais de 3 mil voluntários espalhados em 110 postos de atendimento em todo o país e é um dos principais mobilizadores do movimento Setembro Amarelo, uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio.

O trabalho desenvolvido no local implica em oferecer gratuitamente apoio emocional a quem precisa conversar sobre suas dores e aflições, sem ligação com nenhuma religião. "O CVV respeita todas as religiões e até quem não tem religião. Nossa religião é o amor ao próximo", afirma João Eudes. Segundo ele, o trabalho desenvolvido foi desvinculado de religião desde a década de 1970.