Nas Ruas

Sáb, 17/08/2019 | Atualizado em: 17/08/2019 às 04h03


Nas Ruas

Devoção Homenagens ao santo dos inválidos

Márcio Walter Machado*
A+ A-

A manhã de ontem foi iniciada com alvorada e missa em homenagem a São Roque, na igreja São Lázaro e São Roque, no bairro da Federação. A festa teve o tema "São Roque, companheiro dos necessitados". A escadaria do templo estava encoberta pela pipoca oriunda do tradicional banho de fiéis da umbanda e do candomblé, que utilizaram a parte externa do templo para celebrar Omolu.

São Roque e o orixá são unidos no sincretismo baiano através da fé na cura de doenças e males.

"São Roque foi acometido pela peste duas vezes e não se acovardou. Por isso, a população se identificou muito com ele. Nosso povo, hoje, tem muitas feridas, não só do corpo, mas, principalmente, da alma, do coração e dos sentimentos. Feridas que vêm das injustiças sociais e também da epidemia das drogas que machucam muito a gente", afirmou o padre Geraldo Carlos Camargo.

Já no Pelourinho, por volta das 13h30, o som do clarim anunciou, junto com fogos e atabaques, a saída da 22ª Caminhada Azoany contra a intolerância religiosa e a favor da preservação do patrimônio cultural africano.

"Essa caminhada foi criada para recuperar a tradição Azoany, que é o Deus da saúde e da morte e que, no sincretismo, é ligado a São Roque. Além disso, queremos recuperar as vivências culturais e o valor dessa tradição", explicou Edson Costa, coordenador da Rede Municipal de Turismo Étnico–Afro (Emunde).

A caminhada estabelece um marco na luta contra o preconceito étnico que é a Rota Ancestral de Salvador, a fim de oferecer experiências de imersão nas culturas de matrizes africanas.

* Sob a supervisão da editora Meire Oliveira