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Sex, 16/08/2019 | Atualizado em: 16/08/2019 às 04h03


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Artur "A última palavra ainda é de meus pais"

Felipe Paranhos
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Artur é um dos destaques da temporada 2019 do Bahia. Sem ele, o esquema de contra-ataques implantado por Roger Machado provavelmente não surtiria o mesmo efeito e o Tricolor não estaria a só quatro pontos do G-4. O atacante concedeu entrevista exclusiva ao MASSA! e contou um pouco de sua história no futebol, além de revelar quão fundamental é o suporte familiar no seu bom momento.

Você é nascido em Fortaleza, mas virou profissional em São Paulo. Como despertou o interesse do Palmeiras, clube que o formou?

Artur - Eu morava no Piauí, em Campo Maior, então era ainda mais difícil do que estar em Fortaleza. Eu fui com 11, 12 anos para Fortaleza, sem base nenhuma, mas já com esse sonho. Fiz a escolinha do Uniclinic, apareceu uma peneira no Ceará e passei, com o professor Petróleo, com quem ainda tenho bastante contato. Quando eu tinha 15 anos, eu jogava no sub-17 já, e pintou a Copa Rio, no Rio de Janeiro. Fizemos uma bela campanha, nos classificamos e, nas quartas de final, enfrentamos o Palmeiras, do professor Bruno Petri. Tinha o Gabriel Jesus no time. Fizemos um bom campeonato, fiz gol, dei assistência. A gente perdeu na prorrogação, mas apareci bastante. E entraram em contato comigo, pediram meu número. E quando voltei para Fortaleza, entraram em contato com meu pai e meus empresários. E aí fui direto pro Palmeiras.

Você tem 21 anos e o jogador de hoje em dia sempre sonha em ir para fora do país. Mas dá para dizer que clubes como Londrina e Bahia vão sempre deixar um carinho especial?

Artur - Para eu chegar no Real Madrid, eu tive que passar pelo Londrina, pelo Bahia... Londrina está marcada na minha vida, pelas pessoas que apareceram, pela cidade que me abraçou, e não está sendo diferente aqui em Salvador. Sou nordestino, de Fortaleza, então Salvador não muda muito esse aspecto 'quente'. As pessoas me abraçaram muito aqui, e o carinho vai ficar para a vida toda.

O futebol nordestino ainda é visto por algumas pessoas como um destino com menor visibilidade. Quando surgiu a proposta do Bahia, você chegou a hesitar em aceitar?

Artur - Eu recebi propostas de times do Rio de Janeiro, de Minas Gerais... Então não tive esse pensamento. Estava até assistindo à entrevista do presidente [Guilherme Bellintani], de que quatro, cinco anos atrás o futebol nordestino era mesmo discriminado. Mas hoje a gente está numa crescente. O Bahia bate de frente com grandes, então não pensei duas vezes. Tive proposta também para ir para o Ceará, mas não pensei duas vezes quando aceitei a proposta do Bahia.

Sua família está sempre nos jogos, sua esposa também. Eles participam de decisões como essa, de pra onde ir, com que clube assinar?

Artur - Sem dúvida. A última resposta, palavra, ainda é de meus pais. De meu pai, principalmente, sempre respeitei demais a decisão dele. Sempre busco escutá-lo e escutar minha esposa, que está grávida, está vindo uma menina aí [Maitê]. Então, agora, mais do que nunca, tem que ouvir o que eles pensam. Minha família é muito importante e tem que estar feliz.

Você é muito ligado à religião e suas tatuagens não negam isso. Queria que você contasse de sua relação com a religião e o porquê das tatuagens.

Artur - Lá em casa, minha família é toda muito religiosa. Devotos de Nossa Senhora. Então, fiz aqui no braço uma Nossa Senhora, tenho Deus, tenho crucifixo, aqui [no pescoço]. Lá em casa, tudo é relacionado à religião. Dia de domingo, quando dá tempo, quando não tem jogo, a gente vai à igreja, vai à missa. Sou católico, mas frequento também quando os meninos fazem culto lá, evangélico. Religião a gente não discute: o que for da palavra de Deus a gente tá dentro.

Se mudar de uma cidade para outra é da vida do jogador. Mas normalmente eles vão sozinhos, sobretudo quando jovens. E você tem toda uma rede de apoio junto: seus pais e sua mulher estão com você aqui. Parte da sua boa fase tem a ver com esse acolhimento, essa adaptação mais fácil que a família proporciona?

Artur - Ter minha família perto de mim é essencial. Vale ressaltar que quando eu fui pra Londrina, foi a primeira vez que minha família foi morar comigo. No Palmeiras, eu morava em alojamento. E depois disso, com eles perto, eu fiz uma excelente campanha, fui líder de assistências na Série B, fiz gols importantes, fomos campeões da Primeira Liga em cima do Atlético-MG. E quando vim para Salvador minha família veio também, então está sendo bastante legal com eles aqui, porque a adaptação já não é tão diferente do que a gente viveu lá em Fortaleza, pelo calor, pelas pessoas, pela cidade. E agora, aonde eu for, eles vão comigo.

Depois que você platinou o cabelo, a torcida tem te chamado de Diabo Loiro. Você curtiu o apelido?

Artur - Aqui só o que tem é apelido. (risos) Anjo Loiro, Diabo Loiro... Todo dia eu vejo um apelido diferente. Mas é carinho: a torcida tem um enorme carinho por mim, e eu por eles. Então, se tá tudo bem, pode colocar o apelido que quiser (risos).