Nas Ruas

Sáb, 06/07/2019 | Atualizado em: 06/07/2019 às 04h02


Nas Ruas

NO TRABalho Insegurança, omissão e negligência

Jefferson domingos
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Notícias de pessoas que morrem enquanto trabalham têm sido cada vez mais comuns na imprensa local.

A tragédia mais recente divulgada ocorreu no dia 22 de junho, quando o técnico em eleva dores Felipe Sátiro Santos, 29 anos, morreu durante o serviço no bairro do Horto Florestal. Dois dias antes, o engenheiro eletricista Elison Santos Barbosa, 35, morreu enquanto atuava na manutenção da rede elétrica da pista principal do aeroporto de Salvador.

Mas essa incidência não é mera coincidência. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT-BA), a taxa de acidentes no trabalho na Bahia voltou a crescer em 2018 depois de um período de 10 anos em queda.

No ano passado, foram 17.481 casos, número 7% maior do que o registrado em 2017, quando foram comunicados 16.332 acidentes. O maior índice foi apurado em 2009, quando ocorreram 26.483 acidentes. Desde então, os números vinham em queda, interrompida em 2018.

O levantamento indicou também que a Bahia está na oitava posição em números de ocorrências. Enquanto no Brasil, aconteceram 2.022 mortes no trabalho em 2018, na Bahia 94 casos foram registrados, sendo 12 em Salvador. E não para por aí: somente no primeiro trimestre deste ano, 11 trabalhadores morreram, conforme dados de INSS.

Segundo o auditor fiscal do trabalho e chefe da inspeção do trabalho na Bahia, Maurício Passos de Melo, diversos fatores contribuem para a alta taxa de acidentes, porém, a falha de gestão por parte dos empregadores é o principal motivo para as ocorrências.

"Muitas falhas de gestão, especificamente nessa questão de segurança, são responsáveis por boa parte dos acidentes. Existem problemas também relacionados às máquinas e equipamentos. Os trabalhadores, por vezes, operam essas máquinas sem o equipamento de proteção e acabam se acidentando. Na nossa sociedade, por muito tempo, perdurou a ideia de que o trabalhador estava cometendo um ato inseguro, mas já não se aborda dessa forma, porque quem tem que garantir todas as condições para que aquela atividade seja executada e não ocorra acidente é o empregador", ressaltou o auditor fiscal.