Nas Ruas

Qua, 03/07/2019 | Atualizado em: 03/07/2019 às 04h02


Nas Ruas

2 de julho Política divide atenções no cortejo da Independência

Henrique Almeida*
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O desfile cívico do 2 de Julho foi marcado por clara delimitação geracional e percepções diferentes sobre o significado do ato e o que, realmente, tem sido feito nos últimos anos. Os mais velhos reclamaram dos enormes grupos políticos e bandeiras sindicais que iam na retaguarda, enquanto os grupos culturais iam na dianteira com o caboclo e a cabocla.

Os mais jovens se impressionaram com a percussão que circundava o prefeito ACM Neto, que teve protagonismo, devido à ausência do governador Rui Costa, em viagem à Espanha. Ao mesmo tempo, grupos sociais, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e defensores do ex-presidente Lula eram um espaço vazio no que diz respeito à percepção de significado da festa, mas fervorosos em expressão por todo o trajeto – inclusive com momentos de atrito.

Os atos oficiais começaram às 8h30, com o hasteamento das bandeiras municipal, estadual e nacional. Além desse ato, o governador em exercício, João Leão (PP), o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Nelson Leal (PP), e o prefeito ACM Neto (DEM) colocaram flores no monumento ao General Labatut, no Largo da Lapinha.

Grupos de capoeira, filarmônicas, fanfarras, índios de Itaparica e integrantes do Exército eram alguns dos grupos que davam cores ao desfile. No entanto, a moradora do Barbalho Lúcia Coelho, 53 anos, estava inconformada. Para ela, os políticos tomaram a festa. "Os grupos que eu quero ver, que realmente representam o 2 de Julho, vêm na frente, mas, na verdade, ficam em segundo plano. (...) Um amontoado de partidos e grupinhos políticos. Eu quero ver o povo", reclama Lúcia, que acompanha o desfile anualmente pelas ruas do Centro.

Além da celebração da Independência, o desfile teve manifestações pró e contra Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sérgio Moro; além de gritos de "Lula livre" e protestos de servidores estaduais e municipais.

* Sob a supervisão da jornalista Hilcélia Falcão