Nas Ruas

Qui, 06/06/2019 | Atualizado em: 06/06/2019 às 08h40


Nas Ruas

Tenente-coronel PM Patente lograda com muito trabalho

Allan Ribeiro*
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Ana Fernanda de Borja Gonçalves Dantas, 54 anos, é a primeira mulher a chegar a um dos níveis mais altos na hierarquia da Polícia Militar da Bahia (PM-BA), a patente de tenente-coronel. Em seu histórico, Ana vem abrindo caminho nas patentes oficiais da instituição, desde quando ingressou na corporação, sendo a primeira mulher a receber as patentes de tenente, capitã, major e agora tenente-coronel. A conquista vem 194 anos após a criação da corporação, que foi fundada em 17 de fevereiro de 1825.

A coronel, como a chamam, está na Polícia Militar há 25 anos, tendo ingressado no ano de 1993, no primeiro concurso feito para mulheres do quadro de oficiais de saúde, composto por médicos e dentistas. Além de tenente-coronel, ela é médica pediatra, bacharel em direito e mestranda em administração pública.

Ana Fernanda contou que não foi fácil chegar até aqui, houve muito trabalho a ser construído. "É difícil. Todo esse processo exige uma construção. Você é avaliado por seu chefe imediato, por subcomissões, você tem que colocar todos os seus cursos e toda sua parte acadêmica também é avaliada. Além disso, você precisa ter um tempo no posto e as habilitações necessárias. É um processo que é diariamente construído", contou a tenente-coronel.

No meio policial, a oficial é uma referência de educação, comprometimento e atenção onde atende, no Centro de Operações e Inteligência (COI) da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), local destinado à assistência médica dos servidores de todos os polos da segurança. Ela presta 40 horas semanais de serviço, sendo às terças-feiras no COI e quartas e quintas no Departamento de Saúde (DS), na Vila Policial Militar do Bonfim, unidade na qual é lotada.

Muito responsável e ciente do seu papel, Fernanda deseja inspirar outras mulheres a buscarem seu espaço e reconhece o papel das colegas de trabalho. "Em 1990, foi aberto o concurso para as primeiras mulheres na polícia (praças), na patente de sargento. Então, essas guerreiras e também batalhadoras têm aberto os caminhos para a gente", afirmou Ana Fernanda.

Sobre as questões machistas no ambiente de trabalho, Fernanda falou que não sofreu muito com isso por sempre se dedicar a mostrar seu trabalho e, desde a sua entrada na corporação, seu foco foi galgar os postos da hierarquia militar. "A gente tem essa expectativa quando ingressa na instituição militar hierarquizada. Quando você entra no primeiro posto, você tem a expectativa de galgar todos os postos e chegar ao posto máximo", complementou.

A militar sente muito orgulho de fazer parte da instituição e não esconde a satisfação. "Meu trabalho na PM é prazeroso. Eu sempre insisto em dizer que eu gosto de ser policial militar, gosto de ser médica da polícia e vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para, cada vez mais, elevar o nome da instituição", disse expressando muito respeito pelo trabalho.

Antes de receber a penúltima patente da PM, Ana Fernanda era uma das 35 majores atuantes na Bahia, ao lado das policiais Denice Santiago, comandante da Ronda Maria da Penha, Maria Cleudi Milanezi, comandante da 12ª CIPM (Ondina/ Rio Vermelho), e Patrícia Barbosa, lotada na 11ª CIPM (Barra/ Graça). Se levado em consideração o número total de militares da Bahia, que é de 31.788, é como se, para cada 100 policiais, apenas 15 fossem mulheres.

E para coroar esse momento importante na vida de Ana Fernanda, que é reconhecida também internamente na corporação, a cerimônia de mudança da patente para tenente-coronel foi realizada no último dia 7 de maio, no Quartel do Comando Geral (QCG) da Polícia Militar, no Largo dos Aflitos.

* Sob a supervisão da editora Kenna Martins