Nas Ruas

Sáb, 11/05/2019 | Atualizado em: 11/05/2019 às 05h01


Nas Ruas

O poder da fé Mães de joelhos, filhos de pé!

Allan Ribeiro*
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A felicidade de um filho é a realização de uma mãe e não é clichê dizer que a maternidade capacita a mulher para defender e proteger seus filhos. Elas viram bicho se possível. E mais que isso, elas buscam ferramentas de amparo e transformação para seus herdeiros através do seu amor e da fé . Nesses casos, a maior arma é a oração.

Um exemplo desse amor é o movimento "Mães Que Oram Pelos Filhos", criado em Vitória, Espírito Santo, por Ângela Abdo. Preocupada com sua filha, ela iniciou o grupo, entendendo a necessidade de muitas mães intercederem por seus filhos.

O movimento católico ganhou notoriedade e, atualmente, mais de 600 grupos de mães estão espalhados pelo Brasil. Na Bahia já são 69 grupos, sendo 09 em Salvador. Também existem os grupos em processo de "chamado". Segundo Lúcia Lira, coordenadora estadual do grupo da Paróquia São Pedro, localizada na Piedade, os encontros acontecem aos sábados e o foco é a oração de intercessão pela restauração das famílias. "Estamos aqui por ser um mover de Deus no coração dessas mães", contou.

Em um momento em que os jovens estão mais vulneráveis às drogas e outros perigos sociais, o grupo atende demandas específicas. A coordenadora relatou um dos muitos casos que lhe tocou profundamente. "Existem situações em que os filhos saem de casa e não voltam, um exemplo foi de uma mãe de Porto Seguro-BA, em que o filho saiu de casa há três anos e até hoje ela não sabe o "paradeiro" dele, é muita angústia para uma mãe", destacou a coordenadora.

Num período em que os jovens estão muito vulneráveis às drogas e outros vícios, o grupo atende demandas específicas. A coordenadora relatou um dos muitos casos que lhe tocou profundamente. "Existem situações em que os filhos saem de casa e não voltam, um exemplo foi de uma mãe de Porto Seguro-BA, em que o filho saiu de casa há três anos e até hoje ela não sabe o "paradeiro" dele, é muita angústia para uma mãe", destacou a coordenadora. Chamado de "Amo Serviço", as orações são direcionadas para casos de filhos desempregados, encarcerados, especiais, dentre outros pedidos recebidos pelas oradoras de fé, que também auxiliam outras mães com direcionamentos e aconselhamentos.

A mãe Terezinha Campelo, 70 anos, moradora de Brotas, é uma pequena mostra do poder da oração sobre a família. "Eu vim pela necessidade de orar por meus netos. Depois de um certo tempo de oração, o Senhor colocou em meu coração para orar pela minha filha, porque ela seria o sustento para os netos para as transformações. E eu tenho notado que isso está acontecendo", revelou.

A oração é um gesto da dedicação e do sentimento principal que rege a vida dessas mães: a fé. Lúcia Vieira, 61, residente no Itaigara, está sempre atenta aos seus dois filhos

e desde que passou a frequentar os encontros das "Mães que oram", percebeu como a oração mudou seu lar. "Eu cheguei para conversar com Lúcia Lira naqueles dias em que a mãe está arrasada pelos seus filhos, porque sentimos as angústias deles. Eu sentei com ela, partilhamos as nossas histórias, choramos e foi neste dia que eu aceitei fazer parte do movimento. Hoje, em minha casa, tem acontecido a mudança que eu pedi a Deus", confessou.

A essência dessa união materna, que já está presente em diversos bairros da capital, é trazer esperança às matriarcas que chegam desesperadas e precisam de amparo e acolhimento. Por isso, Angélica Maria do Vale, 69, intercessora do grupo da Paróquia São Pedro e mãe de dois filhos, acredita no poder da oração. "Orar pelos outros é algo precioso e orar pelos filhos é melhor ainda", afirmou.

O que há de comum entre elas é a fé e o que as une é a experiência de aprender com seus filhos. Lívia Sampaio, mãe de dois filhos se enche de orgulho em colher os bons frutos da devoção. "Depois das orações, ver meus filhos no mesmo caminho que eu, me traz muita alegria", concluiu.

* Sob a supervisão da editora Kenna Martins