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Qua, 08/05/2019 às 09h10


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Minotauro, a lenda viva

Felipe Paranhos
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Rogério ‘Minotouro’ é uma raridade: aos 42 anos e profissional de MMA desde 2001, continua lutando em altíssimo nível. Prova disso é que o baiano de Vitória da Conquista vai estar em ação no UFC237,que será realizado no Rio de Janeiro, neste sábado (11). O meio-pesado (93kg) vai enfrentar Ryan Spann na  luta que  encerra o card preliminar no evento - uma grande responsabilidade, uma vez que esta posição nos show é ocupada por atletas que façam combates agitados para incentivar a compra de pay-per-view nos Estados Unidos, uma vezque o card principal só é transmitido em pacotes pagos.

Nesta parte do show, a grande atração é a brasileira Jéssica ‘Bate-Estaca’Andrade, que vai desafiar  acampeã peso-palha (52kg) Rose Namajunas pelo título da categoria. A noite de lutas conta ainda com os duelos entre Anderson Silvae Jared Cannonier, pelo peso-médio (84kg), e entre José Aldo  e Alexander Volkanovski, pelo peso-pena (66kg). Único atleta do estado a competir no evento deste sábado,‘Minotouro’ falou com exclusividade com o MASSA!

Você está com 42 anos, e isso tem consequências físicas. Como é lidar com  o treinamento e o desgaste do corpo para evitar as falhas que os lutadores mais jovens cometem na preparação física?

Minotouro - Tem que treinar melhor. Saber treinar. Meus professores já fazem um treino mais específico pra mim, já sabem quais são as minhas qualidades e tentam usar o  que eu tenho de mais forte, para potencializar cada treino. A gente precisa fazer sempre  a parte de recuperação forte, fisioterapia também. A partir  de 2013, eu passei a fazer fisioterapia quase todo dia. É importante para eu poder continuar treinando e lutando.

Na condição de veterano, é de se esperar que você use essa experiência para aconselhar lutadores mais novos na Team Nogueira (equipede MMA que tem Rogério e seu irmão, Rodrigo Minotauro, como sócios). Você dá algum ‘toque’ para eles não levarem o corpo ao extremo?

M - Você tem que levar o corpo ao extremo, porque a competição te exige muito esforço. Então,não adianta você treinar devagar e,quando chegar lá na competição, ser tudo muito mais difícil. O fundamental mesmo é você saber com quem treinar e como treinar. Émuito importante você saber como treinar, com pessoas com bastante experiência do lado, para evitar lesão.

Em sua última luta, antes de conseguir nocautear Sam Alvey, você foi abalado por um soco. Na entrevista coletiva após o combate, você disse que tentou  ao máximo fingir que estava bem e que não estava tonto. E, logo depois, conseguiu a vitória. É essa a vantagem da experiência?

M- É uma delas, sem dúvida. É saber o seu limite ali na hora da luta e responder na hora. Disfarçar o máximo possível, boxear, sair, e só ir na hora boa. Lógico que, com aquela luva, é você atingir  e não ser atingido. Pra mim, é como funciona o MMA hoje. Com essa luva muito pequena (de MMA) você não pode parar na curta distância. Peso-pesado, como a gente, meio-pesado-passou de 80kg pra mim já é pesado -, a luva é pequena, a mão é pesada. Com um cara nocauteador é muito perigoso estar na frente. Então, você tem que sair, bloquear, usar a distância, usaras pernas, sair... Fazer uma luta mais inteligente. É essa experiência que está me proporcionando fazer lutas inteligentes.

Você, embora tenha residência no Rio de Janeiro, só lutou uma vez na cidade, em  2015. O Brasil vivia um momento de efervescência como MMA. O que mudou de lá pra cá?

M - Teve uma entressafra, novos talentos surgindo, acategoria feminina mais forte agora...Abriram várias categorias femininas, o Brasil está aí colocando várias meninas no topo,  a Amanda Nunes (campeã do peso-galo [61kg] e do peso-pena [66 kg]), a própria categoria da Jéssica ‘Bate-Estaca’ (peso-palha) foi criada... Isso aí mudou bastante. Tem bastante menina treinando. E tem uma nova safra: estão surgindo novos ídolos no Brasil. A gente vê essa galera nova chegando e ganhando.Então, há uma perspectiva boa para o Brasil de quatro anos para cá.

E em você, como lutador, o que mudou?

M - Eu continuo treinando bastante. A primorando cada vez mais a parte física, a parte técnica. O tempo passa e você ganha experiência. De um tempo para cá, eu tenho ganhado bastante experiência com muitas lutas duras, algumas lesões nesse percurso...Mas eu aprendi que o importante  é a gente chegar lá inteiro.

Agora, falando da luta de sábado: você e o Ryan Spann lutaram no mesmo evento, em São Paulo, no ano passado. Nos bastidores, Deu para perceber algo sobre ele que possa ajudar você nessa luta?

M- Nos bastidores, não. Mas eu assisti à luta  dele e vi que ele gosta muito de dar jabs. Ele tem um jab muito duro. É um cara que dá poucos golpes, mas que golpeia duro. Além disso, defende muito bem as quedas. Tem uma guilhotina muito boa, tentou pegar o KLB (Luiz Henrique ‘KLB’, adversário de Spann no UFC São Paulo) na guilhotina, então tenho que ficar esperto para essa guilhotina. Mas ele não é um  cara que dá muitos golpes. Então, eu vou tentar usar um pouco da quantidade de sequências de golpes.

Spann e KLB terminaram exaustos essa luta. Você tem trabalhado sua parte física para superá-lo no ‘gás’, caso ele volte a diminuir o ritmo depois do primeiro round?

M -  O KLB fez uma  luta muito agarrada com ele, tentou botar ele para baixo. E o KLB é um cara muito forte, que usou bastante da resistência dele para defender as quedas. Então, tenho me preparado para fazer uma luta bem versátil com ele, na parte da defesa de quedas,das minhas tentativas de quedas  e do boxe. Mas acho  que é o boxe que vai fazer a diferença.