Te Contei?

Ter, 07/05/2019 | Atualizado em: 07/05/2019 às 13h40


Te Contei?

Uma questão de respeito e bom senso

Felipe Paranhos
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A torcedora do Bahia Maria Ribeiro, de 27 anos, relatou ter sido vítima de um episódio de assédio na Fonte Nova, no último domingo (5). O caso da tricolor ressalta uma triste realidade que não se restringe aos estádios: o machismo. Integrante do grupo Tricoloucas, a produtora cultural contou que a situação é tão frequente que chega a ser naturalizada por mulheres que frequentam as arquibancadas. No jogo contra o Avaí, porém, a situação piorou.

"Praticamente todo jogo uma ou outra integrante sofre algum tipo de assédio. Ou até o grupo todo: piadinhas, cantadas, coisas do tipo. Mas no domingo houve uma ameaça de agressão física por parte dos caras, e a gente ficou preocupada. Mas acalmamos os ânimos. Somos – eu e as meninas, porque nós todas sofremos com isso – contra a violência. E evitamos qualquer tipo de conflito físico", disse.

O constrangimento gerado pelo assédio acaba por afugentar muitas mulheres dos estádios. Até por isso, Maria Ribeiro considera a própria existência do grupo Tricoloucas – que vai a todas as partidas do Esquadrão na Fonte – uma forma de resistência. "Nós todas temos consciência disso. Queremos ocupar nosso espaço, que é o de torcedoras, assim como qualquer torcedor, sem distinção!" , comentou.

Contatada pelo MASSA!, a assessoria de comunicação do Bahia destacou que tem realizado ações com torcedoras para discutir o tema do assédio no estádio. Além disso, firmou parceria com a Ronda Maria da Penha na Fonte Nova. O clube ainda prometeu novas iniciativas e informou que denunciou o caso citado à Ronda e à diretoria do estádio.