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Ter, 23/04/2019 às 09h22 | Atualizado em: 23/04/2019 às 09h42


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O Bahêa é de 'seu' Adherbal

Felipe Paranhos
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Se “a Bahia é do Bahêa”, como anunciou o clube ao vencer o Baianão, a homenagem ao funcionário mostrou: a taça é do povo - Felipe Oliveira / EC Bahia / Divulgação
Se “a Bahia é do Bahêa”, como anunciou o clube ao vencer o Baianão, a homenagem ao funcionário mostrou: a taça é do povo
Felipe Oliveira / EC Bahia / Divulgação

 

Aos olhos do torcedor,acomemoração do título baiano pelo Bahia reservou uma surpresa: em vez do capitão Lucas Fonseca, a pessoa no centro da imagem era um senhor de semblante alegre ecorpo frágil, que precisou de ajuda para erguer o troféu. Passada a euforia, acena incomum se revelou tão simbólica quanto bonita: tratava-se de Adherbal Amaral, assistente administrativo do clube, funcionário do Esquadrão há 42 anos.

Seu Adherbal, como éconhecido, nasceu em 1937 – apenas seis anos depois da fundação do Bahia. Ele ficou conhecido dos tricolores fanáticos por, ao longo de muitos anos, buscar novas contratações no aeroporto. Hoje, ofuncionário luta contra um câncer de próstata, faz quimioterapia e conta com a compreensão de todos no Esquadrão. “Trabalho pelo amor ao clube. Mas a retribuição existe: o carinho por parte da diretoria, da comissão técnica, dos atletas... De todos”, afirmou ao MASSA!.

Ele explicou como soube da homenagem. Bem-humorado, Seu Adherbal contou que, antes de aceitar o convite, ironizou a confiança dos dirigentes. “Eles me avisaram na véspera que eu fosse para o jogo, porque eu que iria levantar a taça. Aí eu perguntei a eles: ‘Vocês já ganharam o jogo, é?’. E eles me responderam: ‘Vá para o jogo, que você vai levantar a taça!’”, lembrou.

O tributo prestado pelo Bahia ocorre num momento em que são questionadas as presenças de pessoas estranhas aos clubes em comemorações. Em 2018, o Palmeiras causou polêmica ao convidar o então presidente eleito Jair Bolsonaro para erguer o troféu de campeão brasileiro junto com o capitão Bruno Henrique.

Neste ano, o Flamengo foi criticado por setores da própria torcida depois que o deputado Rodrigo Amorim participou da festa do título da Taça Rio. E, no mesmo domingo da festa do Esquadrão, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Cauê Macris, levantou a taça de campeão paulista com o goleiro Cássio, do Corinthians.

O caso de Seu Adherbal é bem diferente. Enquanto os políticos não tiveram qualquer participação nas campanhas vitoriosas de seus times, o Esquadrão homenageou alguém que, embora longe dos holofotes, é parte fundamental de cada conquista do clube. “Muito emocionante, não é? Em determinados momentos, eu cheguei até achorar”, revelou o funcionário.

O protagonismo na festa coroa a história vitoriosa de Seu Adherbal. Presente em todos os momentos importantes do Tricolor nas últimas décadas, inclusive o título brasileiro de 1988, ele hoje se sente completo. “Já consegui tudo no Bahia. Eu estava na delegação quando a gente ganhou a segunda estrela. Eu estava em Porto Alegre. Então, não tem mais nada. Quando agente ganha uma taça de campeão brasileiro, já tem tudo”, disse.

No Instagram, Guilherme Bellintani, presidente do Bahia, escreveu que o funcionário “é a cara da torcida”. E, de algum lugar da arquibancada da Fonte, um torcedor responderá: “Adherbal me representa”.