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Qui, 28/03/2019 | Atualizado em: 28/03/2019 às 15h10


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Baiano 'bom de briga' quer o topo

Alex Torres
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Com luta marcada para este domingo, no Rio de Janeiro, contra o argentino Sergio Ariel Estrela, o medalhista de ouro olímpico em 2016 Robson Conceição segue em direção ao título mundial. Para isso, o baiano conta com a ajuda do técnico Luiz Dórea, responsável por treinar ninguém menos que Acelino 'Popó' Freitas, o último brasileiro a atingir o feito.

Com um cartel de 11 vitórias em 11 lutas como profissional, Robson falou com exclusividade ao Grupo A TARDE sobre as dificuldades que tem enfrentado no caminho para a realização de seu maior sonho.

Qual a maior diferença que você percebeu entre os lutadores olímpicos e aqueles que enfrenta no profissional?

Robson Conceição - No boxe olímpico, você tem que treinar o tempo todo em alta velocidade e performance, até porque você não sabe o adversário que você vai enfrentar, o treino é muito mais puxado. O boxe profissional são 12 rounds, enquanto no olímpico são três. Por isso, no olímpico, você acaba usando menos força e mais velocidade. No profissional, os golpes são mais contundentes.

O que acha que falta para chegar à disputa do tão sonhado cinturão?

RC - Por ter sido campeão olímpico, poderia lutar pelo cinturão mundial quando eu e minha equipe decidíssemos, logo de imediato. Porém, optamos por fazer um trabalho mais sólido e evoluir degrau por degrau, porque na disputa do título não pode haver erro. Então, essas lutas que venho fazendo são para enxergar as minhas falhas e ir ajustando, ganhando mais experiência. Não posso achar que estou pronto para ser campeão mundial apenas por ter sido campeão olímpico. Quando estivermos preparados, porque confiante eu já estou, disputaremos o cinturão.

No domingo, você fará sua primeira luta no Brasil como profissional. Tem pressão?

RC - Me perguntavam muito isso na Olimpíada do Rio. Na verdade, serve de motivação. Eu sentia que eu tinha que treinar mais para poder retribuir o carinho que todos estavam depositando em mim. É exatamente isso que está acontecendo agora.

Os superpenas (59 kg) e penas (61 kg) são as duas categorias em que você costuma lutar. Em qual delas você vai buscar o cinturão?

RC - Eu e minha equipe estamos optando por lutar na categoria de 58,8 kg. Agora já estou baixando um pouco e nas próximas penso em enfrentar lutadores de 57,2 kg. Estamos fazendo toda uma adaptação para chegar nesse peso bem, com força, para poder disputar o cinturão.

No seu córner, você tem Luiz Dórea, que treinou também Popó. Existe algum ensinamento que ele passou em comum a vocês?

RC - O trabalho com Dórea é muito bom, ele já possui bastante experiência no boxe profissional. A gente trabalha muito essa questão do nocaute, aquela garra de buscar a luta e tentar decidir logo. São os mesmos ensinamentos.

Você já afirmou que sua vida não mudou nada desde a conquista da medalha olímpica e que, apesar do reconhecimento do público, o mesmo não aconteceu com a mídia e os patrocinadores. É frustrante?

RC - Não, não. Até porque eu tive um início muito difícil no esporte, sem incentivo. Ao longo dos anos que foram surgindo os apoios financeiros, o Ministério do Esporte, a Marinha. Então, o pouco que eu pude juntar com o boxe olímpico vem me ajustando. Além de um grande apoio da Top Rank, que me gerencia e me dá uma ajuda de custo. Por isso, meu sonho de ser campeão não vai se apagar nunca, com ou sem apoio.