Nas Ruas

Sex, 01/03/2019 | Atualizado em: 01/03/2019 às 05h02


Nas Ruas

Acampados Ambulantes têm fé que o carnaval de 2019 será 'gordo'

Raul Aguilar
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Dinheiro para pagar o aluguel, construir a casa própria ou realizar o aniversário da filha, são vários os motivos apontados pelos vendedores ambulantes que lotam as avenidas dos circuitos, formando imensos corredores amarelos a perder de vista.

Há cinco anos, o vendedor Mário Félix dos Santos, 40 anos, saiu de Irará, a 128km de Salvador, para vender bebidas no circuito Osmar, no Campo Grande. "Eu trago em malas tudo aquilo que vou utilizar. São algumas poucas roupas, produtos de higiene e o dinheiro para comprar as bebidas. Eu invisto cerca de R$ 1 mil e se o Carnaval for bom eu consigo voltar para casa com R$ 2 mil livre", revelou Mário.

A dona de casa Edelzulita dos Reis Ferreira, 56 anos, trabalha no Carnaval há 45 anos e reclama do esvaziamento do circuito Osmar. "Hoje, as maiores atrações estão na Barra. Bel Marques, Durval Lélys e Ivete não aparecem mais por aqui. A situação é tão feia que os trios estão parando no Relógio de São Pedro", lamentou a vendedora.

Edelzulita vende bebidas na calçada em frente ao prédio Sulacap, no cruzamento da Avenida Sete com a Carlos Gomes, há 35 anos. "Antigamente, nós pagávamos a licença e podíamos vender qualquer cerveja e guaraná, hoje só pode os da patrocinadora. Se colocarmos uma bebida diferente e o "rapa" ver, ele leva tudo. Além desses problemas, ainda têm os depósitos que vendem cervejas a R$ 2, enquanto nós só podemos vender a R$ 2,50", desabafou a ambulante.

Ednilson Santos, 34 anos, atua no Carnaval de Salvador há mais de 10 anos e reclama da ausência de estrutura adequada para os vendedores. "Os vendedores dormem no chão os sete dias e não tem nem chuveiro onde possam tomar banho. Quem quiser ficar limpo, tem que pagar R$ 2. Eu estou querendo bater minha laje e espero tirar daqui o dinheiro, mas as vendas estão fracas", reclamou Ednilson.