Nas Ruas

Seg, 11/02/2019 | Atualizado em: 11/02/2019 às 12h11


Nas Ruas

Arcos da Conceição Trabalhadores têm medo de despejo

Catarina Lopes*
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A requalificação dos arcos da ladeira da Conceição da Praia, no Centro Histórico, voltou a ser discutida após declaração do prefeito ACM Neto, prometendo revitalizar este patrimônio. Mas a promessa ainda não tem data, prazo ou ações programadas.

Uma versão do projeto de requalificação tinha sido acordada com artífices que mantêm oficinas no local, mas a Fundação Mário Leal Ferreira, responsável por projetos para a prefeitura, disse não saber se a ideia será mantida, mas deveria ter uma informação hoje.

A Secretaria de Comunicação municipal declarou que a requalificação é parte de projeto maior no Centro Histórico, com aportes de R$ 300 milhões, para atrair mais turistas. Só que, para além do cenário de Salvador vista do mar, compondo casario ao lado do Elevador Lacerda, que tanto agrada aos turistas, os arcos abrigam um patrimônio imaterial: o trabalho secular de ferreiros e marmoristas, feito em uma das principais ligações entre as cidades Baixa e Alta.

Essa relação harmoniosa entre patrimônio material e imaterial vem sendo posta em risco desde julho de 2014, quando, de acordo com a marmorista Simony Venâncio, os trabalhadores receberam uma notificação lhes dando o prazo de 72 horas para desocupar as oficinas. "Desde então, estamos lutando", conta a artífice.

Dessa "luta" também participa o ferreiro Edmílson Rodrigues. Ele explica que um acordo já estava feito entre a prefeitura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). "A obra seria feita em duas etapas, e os trabalhadores dividiriam espaços enquanto a intervenção ocorresse. Assim, não teríamos que sair daqui", contou.

* Sob a supervisão do jornalista Luiz Lasserre