Nas Ruas

Sex, 18/01/2019 | Atualizado em: 18/01/2019 às 05h02


Nas Ruas

Pedidos de paz marcam Lavagem sagrada na capital

Murilo Melo
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Às 4 horas da manhã de ontem, a baiana Edna Maria dos Santos, 53, se levantou da cama. Em meio ao silêncio da madrugada, juntou folhas de manjericão e macaçá numa bacia de alumínio, ralou tudo com água e, em seguida, coou o líquido direto no jarro de barro completando o perfume com alfazema. O pano da costa, de um branco alvo, é colocado na cintura. Por último, o torço vai à cabeça e os colares e pulseiras colorem o corpo. Está pronta para participar da tradicional Lavagem do Bonfim. Às 9h, o exótico deu o tom à praça com a chegada dos primeiros personagens da festa - carros de bois enfeitados, burrinhos sonolentos atrelados a carrocinhas e jegues coloridos. Houve, ainda, manifestações políticas em prol das minorias, cânticos católicos à beira do cortejo, fanfarras e microtrios que comandavam batuques e muito samba. Até chegar à Colina Sagrada, num percurso de oito quilômetros feito a pé, os adeptos da festa uniam os pedidos de paz à alegria e aproveitavam para comer a famosa feijoada vendida pelo caminho.