Viver Bem

Qua, 26/12/2018 | Atualizado em: 26/12/2018 às 05h01


Viver Bem

Atenção total com a família

Nágila Santana
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Depois do parto, tudo que os pais mais querem é chegar em casa com o bebê nos braços e descobrir um novo mundo, aprendendo a lidar com ele. E, quando o recém-nascido é prematuro, cresce uma onda de medo e insegurança em relação aos próximos passos, pois os cuidados precisam ser redobrados para evitar qualquer tipo de impacto negativo no futuro da criança.

"São várias as causas que levam ao parto prematuro. Dentre elas destacamos a hipertensão na gestação, infecções maternas e complicações placentárias", revela a neonatologista Jucille Meneses.

Para controlar os problemas gerados pela prematuridade, os primeiros dias e meses do bebê têm de ser acompanhados por uma equipe multidisciplinar de especialistas. Afinal, é geralmente neste período que problemas respiratórios, cardiovasculares e até hemorragia craniana podem aparecer. Por isso, o acompanhamento de toda a equipe durante a rotina dos pais é fundamental. "A insegurança e o desconhecimento dos pais dos prematuros exigem que toda a equipe que trabalha com esses recém-nascidos atenda a esta família cuidadosamente, orientando e esclarecendo todas as dúvidas, engajando a família nas decisões clínicas e estimulando a participação ativa nos cuidados com o paciente", conta a médica.

Foi assim que Miqueline de Faveri conseguiu vencer os dias que passou na UTI com seu filho Cristian, que nasceu de 30 semanas, pesando um quilo e 300 gramas. "Estava no trabalho quando tive um sangramento forte e, no hospital, descobri que estava grávida de dois meses. Com o passar do tempo, fui tendo algumas complicações, até que descobri que meu bebê iria nascer prematuro. Foi traumático, pois eu não estava esperando que isso fosse acontecer", diz.

Para ela, a troca de experiências com outras mães, além do acompanhamento dos médicos, foi fundamental: "Sempre me culpei muito por ele ter nascido prematuro e foi durante o período no hospital que entendi que era normal. Comecei a trocar experiências e angústias com outras mães, o que se tornou ótimo para lidar com a montanha russa de emoções que é ter um bebê na UTI".

Segundo a mãe, o medo persistiu até o momento em que o bebê recebeu alta, pois tinha receio que sua inexperiência pudesse prejudicar a saúde do filho. "Depois que ele foi para casa, passamos um ano todo com cuidados específicos e evitando visitas", contou. Atualmente, seu filho está com 15 meses e estável.