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Seg, 24/12/2018 | Atualizado em: 24/12/2018 às 05h01


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"Obrigado pelas críticas"

Gabriel Conceição*
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Revelado pela divisão de base do Bahia, o zagueiro Rodrigo Becão, de 22 anos, baiano e natural de Cajazeiras, vem se destacando jogo após jogo com a camisa do CSKA Moscou, na Rússia. Após atuar em apenas 20 partidas pelo time profissional do Tricolor, em meio às críticas, o defensor foi emprestado à equipe russa até Julho de 2019, onde rapidamente virou titular, estreando com uma vitória no clássico contra o Lokomotiv.

De férias em Salvador, o Jornal MASSA! aproveitou a oportunidade para entrevistar a cria do Fazendão, que contou sobre sua história, a adaptação na Europa, questão contratual e sobre seu sonho de vestir a camisa da Seleção Brasileira na Copa do Mundo do Catar em 2022. Confira o bate papo completo com o zagueirão:

Como foi sua infância em Cajazeiras?

R - Minha infância em Cajazeiras foi bastante rica. Fiz vários amigos. Soube aproveitar bastante essa época, jogando sempre muita bola. Meu pai sempre gostou muito de futebol e me chamava para ir para a pelada ver ele e os amigos jogando. Sempre vivi neste meio e sou muito grato a isso, porque o pouco que consegui hoje, é devido a minha infância, com meus amigos e família sempre presentes.

Como tem sido sua adaptação na Rússia? O que tem sido mais difícil?

R - Aqui (Salvador) é muito quente e eu gosto do sol, mas quando você vai para a Rússia e pega uma temperatura de -13º C , com sensação térmica de -20° C, é duro de aguentar, sendo que o campeonato russo só permite jogos com até - 15° C. Quando se sai de um país que você viveu a vida toda para sentir um frio que nunca sentiu na vida, é totalmente diferente, requer um tempo de adaptação. Mas graças a Deus eu me adaptei rápido, não me acostumei com o frio, mas me adaptei.

Como é jogar nessa temperatura?

R - No frio não tem como transpirar. É um gelo. Quando neva é pior ainda. Em termo do gramado nessas temperaturas, o país em lhe dar toda a estrutura para poder jogar em um frio desse. Os gramados de lá costumam ter calefação por baixo, que esquenta e não deixa a grama congelar. Lá tem campos em centro de treinamentos que não tem condição nenhuma de jogo.

O que tem diferente do futebol brasileiro para o europeu?

R - O futebol da Rússia tem a característica de ter um jogo mais brigado. Em comparação com o Brasil, nosso futebol tem um pouco mais de toque de bola e lá é um jogo mais acirrado. São poucos times lá que jogam com linha de quatro defensores, pois a maioria joga com cinco homens na linha de defesa. Se defendem bastante, para na base do contra-ataque, matar o jogo.

Como é disputar uma competição do tamanho da Champions League?

R - Jogar uma competição do nível da Champions é sensacional. Jogar contra os melhores times do mundo, que tem os elencos mais qualificados, é o sonho de qualquer jogador de futebol e não foi diferente comigo. Mesmo as coisas acontecendo bem rápidas e precoces, eu pude me preparar, graças a Deus, contribuindo da melhor forma possível.

Qual a sensação de ganhar de um time como o Real Madrid por duas vezes? Já imaginou isso na sua carreira?

R - Ganhar de um time com o Real Madrid, é uma coisa para ficar na história. Eu costumo dizer que eles não são uma equipe, mas sim, uma seleção. Ganhar uma partida em casa e depois ganhar por 3 a 0 no Santiago Bernabéu, é muito gratificante.

Como está sendo a receptividade dos torcedores russos?

R - A torcida russa é torcida bem fantástica. Eles são um pouco diferentes, porque eles costumam apoiar as equipes sempre. Nós perdemos duas partidas em casa e nessas duas partidas saímos aplaudidos de campo. O Mário Fernandes está lá há mais tempo do que eu, seis anos jogando na Rússia, e ele me falou que nunca viu o time sair vaiado após o jogo. Já chegou a tomar goleada, mas mesmo assim, a torcida apoiou.

Como a torcida age com você?

R - Os russos são bem fanáticos. Eles tietam a gente (jogadores). Quando nos veem no shopping, pedem para tirar fotos. Não sei como eles encontraram meu endereço lá, mas sempre mandam presentes, só não recebi uma vodka ainda. Isso é muito legal, pois todo jogador quer ter seu trabalho reconhecido.

Você pretende permanecer no CSKA depois do fim do empréstimo?

R - Olha, eu pretendo seguir minha vida no que Deus tem de melhor para mim. Mas sobre minha situação contratual, tenho um ano de contrato por empréstimo com o CSKA e tenho que cumprir esse contrato. Eu pertenço ao Bahia, mas o CSKA também tem a opção de compra, mas vou seguir com meu trabalho e esperar uma posição deles. Estamos conversando, meus empresários e eles, mas não tem nada decidido ainda.

Você sente saudade do futebol brasileiro?

R - Eu me adaptei muito bem na Rússia. Claro que você jogar em casa, perto da família, é legal, a comunicação também é fácil, é diferente. Mas é muito interessante sair do local que viveu a vida toda para outro totalmente diferente. Se for para ficar lá, eu quero seguir por lá.

O que você tem a dizer aos críticos que agora estão acompanhando a sua boa evolução?

R - Acho que o que tenho a dizer é justamente um obrigado pelas críticas, que serviram de pedras para eu trilhar meu caminho. Sem críticas você não cresce, então, tem que haver uma crítica mesmo, porque quem está de fora consegue ter uma visão diferente daquilo. Portanto, agradeço a eles.

Você está com 22 anos hoje e vem tendo uma maior visibilidade jogando no futebol europeu. O mundial de Catar em 2022 é um objetivo?

R - Todo jogador tem um sonho de vestir a camisa da sua seleção e como eles, eu também tenho esse sonho. Se acontecer rapidamente, assim como aconteceu jogar uma Champions, vou ficar muito feliz com a convocação e eu continuo trabalhando para isso e esperar que as coisas continuem dando certo.

*Sob a supervisão do editor Léo Santana