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Ter, 04/12/2018 às 09h39


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Gravidez segura: Especialista afirma que pré-natal evita a infecção vertical

Raul Aguilar
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Sinais sugestivos de HIV em cirança: otite, sinusite, bronquite, pneumonia, dentre outros. - Divulgação
Sinais sugestivos de HIV em cirança: otite, sinusite, bronquite, pneumonia, dentre outros.
Divulgação

O Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, publicado na última semana, mostrou que o número de infecção vertical, quando a mãe transmite o vírus para seu filho, teve redução de 56%, de 2007 a 2017, em crianças expostas ao HIV, que ocorre quando a mãe possui o vírus e faz o tratamento para não transmiti-lo. O MS atribui o dado ao aumento no número de testagem, principalmente durante a gravidez.

A infectologista e pediatra Cynthia Rodamilans Serra Lorenzo atende mulheres e crianças vivendo com HIV desde 1991, e define a infecção na infância como uma doença negligenciada. "A Aids na infância é uma doença negligenciada. Pelo volume maior ser nos adultos, e geralmente ser mais difícil fazer pesquisa em criança, um tratamento específico para crianças deixa de ser uma opção. O tratamento feito nas crianças é derivado do adulto, e resultado de sucessivas tentativas. O pediatra vai usando e vendo o que dá resultado", revelou a infecto-pediatra.

Cynthia afirma que a infecção vertical pode ser evitada. "Mais de 98% dos casos da transmissão vertical podem ser evitados. Era para a gente não estar tendo mais HIV nas crianças. É isso que está acontecendo nos países de primeiro mundo. Se você controla o pré-natal, você controla a transmissão e a criança nasce sem o HIV. Aqui no Brasil ainda temos problemas com o pré-natal. Muitas gestantes não fazem o acompanhamento como deveria e acaba descobrindo tardiamente, ou descobre na hora do parto e, às vezes, a criança se contamina. Hoje essa transmissão está ocorrendo principalmente através da amamentação", contou Cynthia Lorenzo.

A especialista pontua que grande parte das infecções está ocorrendo na amamentação. "A recomendação é de que a mãe amamente por dois anos ou mais, e, às vezes, durante esse período, ela tem uma relação desprotegida e adquire o HIV. E a carga viral dela, que é o número de vírus no sangue durante o período inicial da infecção, fica muito elevada e ela acaba transmitindo na amamentação. E aí entra outro grande problema, que é o fato dessas crianças não serem rastreadas. Normalmente, a criança que é filha de mãe vivendo com HIV é encaminhada para o serviço e conseguimos identificar e fazer o tratamento de forma precoce", ressaltou Cynthia.