Nas Ruas

Seg, 03/12/2018 às 09h25


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Dias melhores Infectologista fala sobre tratamento e combate ao HIV

Raul Aguilar
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Uso da camisinha e a utilização da PREP e PEP ajudam na luta contra as DST's - Divulgação
Uso da camisinha e a utilização da PREP e PEP ajudam na luta contra as DST's
Divulgação

O infectologista Antonio Carlos Bandeira acompanha a epidemia e o tratamento do HIV desde a década de 80, quando o Brasil e o mundo começaram a conhecer os efeitos da Aids. Hoje, cerca de 31 anos após o surgimento do AZT, primeiro medicamento contra o HIV, o infectologista fala sobre o atual estado da infecção e da doença.

Qual é o estágio atual da epidemia?

R-Vimos alguns períodos. No dia 5 de Junho de 1981, é descrito, pela primeira vez na literatura, a Aids. De 1981 até 1987, não tivemos nenhuma medicação específica. Os pacientes morriam com seguidas infecções. A expectativa de vida era em torno de sete meses. Em 1987, surge a primeira medicação para o HIV, o AZT, que aumentou de três a quatro meses o tempo de sobrevida do paciente. A partir de 1987, começou a se combinar drogas. De 96 para 97, começa a revolução com a chegada do coquetel e sua terapia tripla, com três drogas que agem no controle da doença e da replicação viral. Essa é a terapia atual, extremamente potente contra o vírus e de baixo efeito colateral.

Como explicar o crescimento do HIV entre adolescentes e jovens?

R-Os jovens e adolescentes têm partido para comportamentos que os tornam vulneráveis à infecção. É provado que o consumo excessivo de álcool e drogas retira do indivíduo a sua condição normal de raciocínio. Hoje, a TV não mostra o flagelo que a Aids causa. As pessoas não se sensibilizam sobre essa dimensão da doença. Antes eu recebia muitos convites para ir às escolas falar sobre DST e HIV. Hoje isso é raro. Vejo isso como um sintoma dessa despreocupação com a doença.

Após o sexo desprotegido, quando fazer o teste de HIV ?

R-A janela imunológica dura de quatro e seis semanas, três meses eu diria que é o prazo mais racional para a soroconversão. É por isso que você faz a PEP durante um mês, que com um mês você elimina o vírus. Os teste rápidos são muito bons, eles se aproximam demais do Elisa, o teste convencional. Os testes moleculares com análise da carga viral são os mais seguros. Esses começam a identificar o vírus de dez a 15 dias após a infecção.

Quais DST's facilitam a infecção pelo HIV?

R-É bom deixar claro que o preservativo previne 100% HIV e DST's. Usado corretamente, não tem como vírus ou bactérias atravessarem a barreira do preservativo. Por isso, é importante colocar a camisinha corretamente, tirando o ar da ponta, que, na hora da ejaculação, pode fazê-la estourar, causando o contato do sêmen com ânus ou com a vagina, que causa a contaminação. As DST's que fazem úlceras no órgão genital facilitam e muito a aquisição de outras DST's e do HIV, a exemplo da herpes e do sífilis, que causam muitas úlceras.

O que são a PrEP e a PEP?

R-A Profilaxia Pré Exposição, PrEP, é a medicação utilizada para prevenir o HIV, usada antes da pessoa ter a relação sexual e deve ser usada sobre condições específicas. A Profilaxia Pós Exposição é a PEP, feita em até 72h da exposição, tem 99,9% de segurança que o indivíduo não irá se infectar. Assim que o indivíduo faz o sexo desprotegido ou que a camisinha estoura, ele deve procurar os locais de referência para fazer a Pep, que é de graça. Nunca tive um caso de um paciente que começou a profilaxia dentro desse período que se contaminou. O indivíduo pode fazer a PrEP em até uma semana, mas nesse período existe uma chance considerável dele se contaminar.