Nas Ruas

Qui, 01/11/2018 às 12h05 | Atualizado em: 01/11/2018 às 12h18


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Agressão: “Uma abordagem racista e violenta”

Raul Aguillar
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Caso de agressão está sob apuração da 7ª Delegacia Territorial - Raul Aguillar
Caso de agressão está sob apuração da 7ª Delegacia Territorial
Raul Aguillar

O questionamento de “uma abordagem racista e violenta”. Esse foi o motivo apontado pela estudante Janaína Barata, 19 anos, para ter sido agredida por policiais militares do Pelotão Tático Operacional (PETO), no Rio Vermelho, no último domingo (28).

A jovem contou que estava no Largo da Mariquita com amigos, para acompanhar a apuração dos votos.

Eleitora de Fernando Haddad (PT), ela afirmou que antes da apuração encerrar, e já com o candidato Jair Bolsonaro (PSL) na frente, o clima no local ficou desconfortável para petistas e, por isso, ela e amigos foram para o Largo de Dinha, tradicional reduto petista de Salvador.

Na Dinha, ela viu a vitória do candidato do PSL e confirmou que alguns de seus eleito res começaram a provocar os petistas que estavam no local, mas negou que houve briga ou agressão entre eles, como informou os PMs, em nota divulgada pela SSP.

“No meio das provocações, eu notei que, a uma certa distância, um jovem negro, militante do PT, estava sendo abordado de uma forma racista e violenta, e fui questionar qual a necessidade de uma abordagem dessa forma”, explicou Janaína.

Segundo a estudante, o questionamento não foi bem recebido por um PM, que a empurrou na direção de um grupo de pessoas. “Depois que questionei a abordagem e fui empurrada, eu voltei a falar com ele e ele me respondeu sacando um spray de pimenta e borrifando em nossa direção. Em seguida, um policial me agrediu com um cacetete e eu caí no chão desacordada”, relatou.

Hematomas

Janaína revelou que além de ser agredida, os policiais ainda chutaram as pessoas que estavam no chão. A estudante contou que está com hematomas por todo o corpo. “Estou com hematomas no peito, no braço, costas e na barriga. Eles me agrediram porque eu fui questionar uma abordagem violenta e racista. Tomei três pontos e terei que fazer exames durante todo o mês, para saber se esse ato me deixou com sequela”, lamentou. Janaína acredita que os policiais deveriam ter mais preparo. “Se eles não gostaram do meu posicionamento, deveriam ter me imobilizado e me conduzido a uma delegacia, e não agir com toda essa violência”, reclamou. Ela pontuou que está avaliando a possibilidade de entrar com uma ação contra o estado.