Viver Bem

Qui, 01/11/2018 | Atualizado em: 01/11/2018 às 05h00


Viver Bem

Marcas cruéis de angústia e tensão

Estadão Contéudo
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Não demorou muito tempo para uma demissão provocar o aparecimento de escamas pelo corpo de Basílio Carneiro, 51, em 2004.

As manchas, circulares e avermelhadas, se espalharam por toda a pele do homem e o obrigaram a aprender a conviver com as feridas. Ele sofre de psoríase, doença em que o sistema imunológico, ataca tecidos saudáveis do corpo. Afetando cerca de cinco milhões de brasileiros, a enfermidade consiste em marcas dos mais diversos tipos e ocorre quando os linfócitos T, células que defendem o organismo, liberam elementos inflamatórios na corrente sanguínea. "Essas substâncias podem inflamar os órgãos. Assim, o corpo produz neutrófilos [células de defesa] para combatê-las, e isso causa a dilatação dos vasos, que resulta em escamas", explica o médico Caio de Castro, que coordena a campanha nacional de psoríase da Sociedade Brasileira de Dermatologia. O especialista afirma que conflitos emocionais como o de Basílio, que perdeu o emprego, pode ser o pontapé para as feridas aparecerem. "As células controladoras da ação dos linfócitos T atuam menos quando o paciente está nervoso. Com isso, a liberação de substâncias inflamatórias fica descontrolada e a pele se torna mais suscetível ao aparecimento de feridas", diz.

Esse tipo de problema foi o que fez Kelly Lima, 35, descobrir que é portadora de psoríase vulgar, caracterizada pela descamação da pele com lesões avermelhadas. "Passei a ter muitas dificuldades. A convivência com as pessoas é muito complicada [por conta do preconceito], as dores são fortes e me incomodo ao me vestir e tomar banho", relata.