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Qua, 31/10/2018 | Atualizado em: 31/10/2018 às 05h00


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Boa Luta! Jovens trocam as ruas pelos tatames

Gabriel conceição*
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O jiu-jitsu é uma arte marcial japonesa que usa uma série de diferentes técnicas e golpes corporais com o objetivo de derrotar ou imobilizar o oponente. E, ao descobrirem este esporte, os jovens do bairro da Boca do Rio ganharam mais uma arma na luta contra o tráfico de drogas.

A academia Nordeste Jiu-Jitsu vem realizando um grande projeto social na localidade, denominado "Boa Luta", que tem como objetivo tirar os jovens das ruas e apresentar no esporte uma nova ideologia de vida. Para um dos idealizadores da causa, o mestre Renê Jordan, o propósito é incluir a juventude em um meio social produtivo e prazeroso.

"O nosso propósito sempre foi a inclusão, mas no primeiro ano perdemos muitos alunos para a disputa do tráfico que temos diariamente. Depois conseguimos resgatar muitos de lá, e hoje, todos que chegam, conseguimos converter para que o jiu-jitsu não seja só um esporte e sim uma filosofia de vida", afirma o mestre.

A academia atende cerca de 350 jovens da comunidade, de segunda a sexta-feira. No começo, Yure Carlton, dono do espaço, juntamente com Renê, faziam campanhas no bairro para atrair o jovens. No entanto, o sucesso foi tão grande que várias crianças chegaram para se inscrever e participar do projeto social.

"Temos registrados 350 jovens, de 5 a 23 anos, mas trabalhamos com muito mais que isso. No começo fazíamos campanhas no bairro da Boca do Rio e adjacências para que as crianças viessem, mas hoje em dia não precisamos mais, porque elas mesmas vêm juntas com os pais. O pessoal daqui da redondeza já conhece nosso trabalho e indica", revela Renê.

Com a indicação do pai de um dos alunos, Vanderley Alves conheceu o projeto e não perdeu tempo para inscrever o filho, Vanderson Alves. Foi aí que então, o esporte mudou a vida do garoto e o encheu de orgulho, melhorando suas notas na escola e também sua força de vontade.

"Através de amigos da escola, eu trouxe ele aqui e ele se interessou. Deus abençoou e ele continuou a praticar. Sempre apoiei ele, dou todo suporte possível para ele competir. O jiu-jitsu ajudou ele em tudo, na escola, no distanciamento das ruas. Ele vai continuar firme e forte", conta Vanderley.

Seja no tatame ou nas ruas, estes jovens vêm demonstrado superação e força de vontade além da conta. Com isso, o esporte vem quebrando barreiras, superando e conquistando cada vez mais as lutas diárias.

*Sob a supervisão do editor Léo Santana