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Sex, 21/09/2018 | Atualizado em: 21/09/2018 às 13h03


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Só balaços: Policiais matam empresário

Euzeni Daltro
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A inocência dos gestos – braços cruzados e bico de zanga – logo traduziria a dor e o lamento de quem teve o pai morto por policiais militares. "Eles tinham que olhar quem estava dentro do carro antes de atirar", disse a filha de 9 anos do empresário Márcio Perez Santana, 41 anos, baleado por PMs da 58ª CIPM (Cosme de Farias), na noite de quarta-feira (19), no bairro de Armação.

Diferentemente do que traduz o depoimento da criança, a morte do empresário não se tratou apenas de um "não olhar". Mas de uma sucessão de ações não esclarecidas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) até a noite de ontem.

A começar pelo fato de policiais da 58ª CIPM terem atuado em uma área de responsabilidade de outra companhia, a 39ª CIPM (Boca do Rio/ Imbuí), sem que tenham sido solicitados para tal.

A 58ª CIPM é responsável pelo policiamento ostensivo no bairro de Cosme de Farias e adjacências. Já o bairro de Armação, onde Márcio foi morto durante a ação policial, é de responsabilidade da 39ª CIPM. A distância entre as duas regiões é de 10 km, aproximadamente.

Márcio foi abordado, perseguido e baleado pelos PMs quando chegava em casa, na Rua Gaspar da Silva Cunha, em companhia de uma amiga. Eles estavam no carro do empresário, um Fiat Palio branco (JRT-8918).

A amiga que estava com Márcio, bem como o sócio dele e os PMs prestaram depoimento ontem mesmo na Corregedoria da Polícia Militar (CPM), na Pituba.