Nas Ruas

Qua, 08/08/2018 | Atualizado em: 08/08/2018 às 05h00


Nas Ruas

Invisíveis Sem lenço, dignidade e documentos

Felipe Santana*
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Parece até brincadeira, mas 90 mil baianos não podem realizar atos simples da vida civil como estudar, tomar vacinas, votar, dentre outros, porque não possuem documento de registro e são considerados "Cidadãos Invisíveis". Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas, o projeto "Sou Gente de Verdade" do Ministério Público da Bahia (MP-BA) está empenhado em mudar essa realidade.

A iniciativa foi inicada no ano de 2015 e visa reduzir o número de pessoas que se encontram sem documentação e acabam não existindo para o Estado, como aconteceu com Sandro Lima de Carvalho, que passou 27 anos de sua vida invisível para o poder público.

Ele foi o único filho que nasceu em casa e, por conta disso, sua mãe não fez o seu registro de nascimento. "Na adolescência, observava meus colegas indo para a escola e ficava triste. Quando completei 14 anos, minha mãe procurou ajuda para tirar meus documentos. Como era necessário consultar alguns órgãos oficiais e fazer exames, desistimos pois ela passava por dificuldades financeiras", contou Sandro, que nunca foi à escola.

Ele conta que quando passava por alguma abordagem policial, era necessário falar os motivos da falta de documentos.

Sob a supervisão da editora Kenna Martins