Nas Ruas

Ter, 07/08/2018 | Atualizado em: 07/08/2018 às 05h00


Nas Ruas

Humanização e dignidade na hora do parto

Aina Soledad
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A Tarde SP

Vítima de violência obstétrica durante o parto do primeiro e único filho, há 15 anos, a assistente social e moradora de Plataforma, Nice Mendes, 43, comemorou a implantação do Centro de Parto Humanizado do Subúrbio Ferroviário, inaugurado ontem, no bairro onde reside. "O aperto, o corte na hora do parto, a falta da minha família naquele momento, foi uma situação constrangedora", disse, com lágrima nos olhos, ao relembrar que ainda foi obrigada a ouvir que "esse foi o primeiro, mas daqui a alguns meses ou anos estará aqui novamente", recordou Nice, mãe de Michel Mendes, 15.

Como forma de enfrentamento a este tipo de violência e melhorias para a saúde do Subúrbio, atualmente Nice integra o movimento Frente Saúde Unidade Suburbana. Para ela, a implantação do Centro, além de representar um grande avanço na saúde, permite também que outras mulheres não passem pelo que ela passou. "Foi um momento traumático, constrangedor que não desejo a nenhuma mulher. Espero que mais Centros como estes sejam instalados e que nenhuma mulher passe pelo desprazer da violência durante o parto", completou.

Além de atender gestantes que estão em trabalho de parto e integram o risco 1, aquelas que estão aptas ao parto normal, a maternidade atenderá também casos de abortamento, gravidez ectópica e doenças especificas da gravidez, como hipertensão, conforme esclarece a diretora da maternidade, Zenilda Monteiro. Deverão ser realziados 100 partos mensais.