Edição do dia
Sex, 06/10/2017 | Atualizado em: 06/10/2017 às 05h00

'Ceguinho' nada: Luiz toca é sanfona!

camila de jesus*
compartilhe
Enviar para Amigo
INDIQUE A UM AMIGO

Para enviar para outro(s) amigo(s), separe os e-mails com “ , ” (vírgula). Ex.:nome@exemplo.com.br, nome@exemplo.com.br

Imprimir
Reportar erro

Para reportar erros nos textos das matérias publicadas pelo MASSA preencha os dados abaixo e clique em "Enviar"

Aumentar fonte Diminuir fonte

"O que os olhos não veem, o coração não sente", conta o ditado popular. Mas há quem enxergue com outros olhos, e esse é o caso do sanfoneiro Luiz Manoel Arcanjo, 72, que é deficiente visual desde o nascimento. No entanto, a deficiência não o impediu de tocar nos ônibus da cidade e de aprender, sozinho, a arte da sanfona.

Nascido no Piauí, ele veio para Salvador aos 20 anos, em busca da ascensão profissional. Por volta dos anos 60, passou a tocar na Estação da Lapa. "O crescimento da violência me fez sair de lá, e escolhi tocar nos coletivos. Nos ônibus faço mais amigos", explica.

O artista se intitula de "Luiz Gonzaga do Sertão", e isso aconteceu após a morte do legítimo Rei do Baião. "No dia da morte dele, colegas de música chegaram em minha casa e eu só conseguia tocar a sua música. Foi emocionante para mim, comecei a chorar enquanto tocava a sanfona".

Luiz conta que durante um show, na cidade de Recife, no anos 90, o público chegou a confundi-lo com o próprio Gonzaga. "Lembro do povo querendo subir no palcz", recorda.

O cantor busca inspiração em outros forrozeiros, como Genival Lacerda, Virgílio e Flávio José. E além de cantar ele também compõe.

* Sob a supervisão da editora-coordenadora Ana Paula Ramos.